O sector bancário angolano registou um resultado líquido de 951,44 mil milhões de kwanzas (cerca de 1 mil milhão de dólares), traduzindo um crescimento expressivo de 34,06% face ao ano anterior, segundo o relatório anual do Banco Nacional de Angola (BNA). O desempenho reflecte uma recuperação consistente da rentabilidade, num contexto de melhoria dos principais indicadores operacionais e de qualidade dos activos.
O produto da actividade bancária atingiu 2,38 biliões de kwanzas, um aumento de 13,21% em termos homólogos, indicando uma expansão do volume de negócios do sector, sustentada sobretudo pela dinâmica do crédito e pela valorização de activos financeiros.
Os activos totais cresceram 12,06%, fixando-se em 26,59 biliões de kwanzas, impulsionados pelo aumento das aplicações em crédito a clientes e em títulos e valores mobiliários. Esta evolução confirma uma maior capacidade de intermediação financeira, ao mesmo tempo que evidencia uma estratégia de diversificação das fontes de rendimento.
Em paralelo, os indicadores de solidez e qualidade de crédito registaram melhorias relevantes. De acordo com o banco central, o rácio de incumprimento recuou de 19,2% para 15,78%, enquanto o crédito malparado diminuiu 5,72%, uma trajectória que reflete maior disciplina na concessão e gestão de risco. Já o rácio de fundos próprios atingiu 23,16%, muito acima do mínimo regulamentar de 8%, reforçando a percepção de robustez do sistema bancário nacional.
O sector operava, no final de 2025, com 21 instituições, menos uma do que no ano anterior, após a liquidação do VTB Africa, num processo gradual de consolidação do mercado.
No plano da supervisão e relação com os clientes, o sistema financeiro registou 51.670 reclamações, uma redução de 9,08% face a 2024. A diminuição ficou a dever-se, em grande medida, à quase eliminação do uso de cheques – que caiu 96,49% – e à melhoria significativa no funcionamento dos meios electrónicos de pagamento, nomeadamente cartões de débito e crédito.
Ainda assim, avança o regulador do mercado bancário, a maioria das reclamações continuou concentrada em áreas críticas como prestação de serviços, caixas automáticos, terminais de pagamento automático (TPA) e canais digitais, evidenciando que a experiência do cliente permanece um dos principais desafios estruturais do sector.
No âmbito da supervisão, o BNA realizou 230 acções inspectivas ao longo do ano, das quais 186 dirigidas a instituições bancárias, e instaurou 133 processos sancionatórios, que resultaram em multas no valor total de 3,78 mil milhões de kwanzas.





