Gestão de projectos ganham força em Angola como solução para reduzir risco e aumentar retorno

A adopção de estruturas de Project Management Office (PMO) em Angola está a emergir como um factor crítico para reduzir o elevado índice de insucesso de projectos e acelerar a transformação digital e económica, defendeu, esta Segunda-feira, em Luanda, Américo Pinto, CEO do PMO Global Alliance (PMOGA) do Instituto Internacional de Gestão de Projectos (PMI).…
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A ausência de estruturas especializadas continua a expor empresas e instituições a riscos elevados de fracasso e desperdício de recursos. Especialistas defendem, por isso, a adopção de estruturas de Project Management Office (PMO).
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A adopção de estruturas de Project Management Office (PMO) em Angola está a emergir como um factor crítico para reduzir o elevado índice de insucesso de projectos e acelerar a transformação digital e económica, defendeu, esta Segunda-feira, em Luanda, Américo Pinto, CEO do PMO Global Alliance (PMOGA) do Instituto Internacional de Gestão de Projectos (PMI).

A posição surge num contexto em que o país procura melhorar a eficiência na execução de iniciativas públicas e privadas, historicamente marcadas por falhas de planeamento, monitorização e alinhamento estratégico.

Falando à imprensa, à margem da Conferência Internacional sobre “Gestão Estratégica de Projectos NEXT PMO”, o responsável sublinhou que a implementação de PMOs pode representar uma mudança estrutural na forma como as organizações angolanas concebem e executam projectos, ao introduzir maior disciplina, previsibilidade e foco na geração de valor.

Segundo Américo Pinto, o desafio actual não se limita à adopção formal destas estruturas, mas à elevação do nível de maturidade da gestão de projectos no país, aproximando-o das melhores práticas internacionais. “O foco deve estar na capacidade de entrega de valor, e não apenas na execução de tarefas”, referiu, apontando a necessidade de alinhar estratégia e implementação de forma consistente.

Os PMOs, explicou, funcionam como um elo entre a visão estratégica das organizações e a sua materialização operacional, assegurando que os projectos contribuam efectivamente para resultados mensuráveis, incluindo a optimização de processos e a melhoria do desempenho institucional.

Na prática, a diferença entre organizações que adoptam este modelo e as que não o fazem reflecte-se no risco associado aos seus projectos. Empresas com estruturas de gestão de projectos consolidadas tendem a apresentar maior previsibilidade e menor probabilidade de fracasso, enquanto aquelas que operam sem esse suporte enfrentam níveis mais elevados de incerteza.

“Quando não há especialistas a apoiar a execução, aumenta significativamente o risco de desperdício de recursos e de não cumprimento de objectivos. É, em última instância, uma aposta na sorte”, alertou o responsável, acrescentando que a qualificação técnica e a estruturação dos processos são determinantes para o sucesso.

O PMI está, neste momento, a desenvolver uma pesquisa específica para Angola, com o objectivo de mapear o estado da maturidade em gestão de projetos no país e identificar vectores de melhoria.

Sobre o continente africano, Américo Pinto manifestou optimismo cauteloso. Reconheceu as “oportunidades muito grandes” que a África apresenta, acompanhadas de investimentos significativos em curso em Angola. Contudo, alertou para a complexidade inerente a estes projectos e para o longo percurso de desenvolvimento que ainda resta percorrer — uma realidade que, segundo sublinhou, não é exclusiva de Angola.

“O mais importante é ter a claridade sobre isso, ter consciência sobre o assunto, porque podemos sempre melhorar, ter melhores resultados. E Angola, sem dúvida alguma, pode ir muito além do que está fazendo hoje.”

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