O primeiro Festival de Língua Portuguesa em Macau vai arrancar na Terça-feira, com uma mostra de poemas ilustrados para provar que o português pode ser uma ferramenta de inclusão, disse um dos organizadores.
Mia Couto e José Craveirinha (Moçambique), José Luís Peixoto, Eugénio de Andrade e Mário-Henrique Leiria (Portugal), Cecília Meireles (Brasil) e Maria Eugénia de Lima (Angola) são alguns dos nomes escolhidos por Pedro d’Alte.
O professor da Escola Portuguesa de Macau (EPM) referiu que “houve uma tentativa de “desvincular a poesia da ideia de Portugal” e de conseguir “uma representatividade maior da língua”.
“Todos construímos todos os dias uma língua portuguesa sem que exista propriamente um dono”, sublinhou o investigador na Universidade Politécnica de Macau.
D’Alte, que já deu também aulas em Angola e em Timor-Leste, lamentou que o ensino da língua fora de Portugal “sempre foi voltado essencialmente para os portugueses ou então para camadas mais elitistas da população”.
Perante uma língua que “foi mais um factor de exclusão do que propriamente de inclusão”, a mostra pretende que qualquer pessoa que viva em Macau “também se possa identificar com a língua”, explicou o docente.
Com esse objectivo em mente, d’Alte escolheu poemas com “uma temática mais simples e também com um modo de construção muito mais directo”, dando como exemplo o brasileiro Mário Quintana.
As ilustrações de Joaquim Franco, um artista plástico residente em Macau há mais de 30 anos, vão estar patentes até 24 de Maio na Casa Garden, sede da delegação local da Fundação Oriente, instituição que apoia o festival.
Pedro d’Alte tentou escolher textos “que suscitassem logo uma imagem na cabeça do leitor” e deu como exemplo de poema “muito imagético” o “Quitandeira” do angolano Agostinho Neto.
A Casa Garden irá também receber, em 08 de Maio, uma sessão de “Pausa para ler”, descrito pela organizadora, a Casa de Portugal de Macau, num comunicado, como “um momento de leitura em conjunto”.
O festival prossegue a 13 de Maio, com “Contar Histórias”, que Elisa Vilaça, marionetista portuguesa radicada em Macau, adaptou a partir do livro para crianças “As Andanças do Sr. Fortes”, do autor português António Mota.
“É uma história contada em português, mas toda a história se desenvolve com a ajuda pontual de marionetas e de interação com as próprias crianças, para elas participarem sempre em momentos quase de surpresa”, explicou à Lusa.





