O Governo angolano espera que o Corredor do Lobito impulsione o desenvolvimento do agronegócio, promova a transformação industrial, fortaleça candeias de valor regional e crie oportunidades económicas sustentáveis.
A ambição foi manifestada esta Terça-feira, 05, em Luanda, pelo ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, no Fórum Empresarial Corredor do Lobito Angola – União Europeia.
“Sobretudo, deve gerar empregos dignos, com especial atenção aos jovens e às mulheres, garantindo que o crescimento económico se traduz numa melhoria efectiva da qualidade de vida das populações das áreas abrangidas”, apelou.
Segundo garantiu Victor Hugo, o Governo tem vindo a desenvolver esforços consistentes na promoção do investimento sustentável, com particular enfoque em infra-estruturas económica estruturantes, na diversificação da economia e no reforço das bases do crescimento inclusivo.
“Estes esforços encontram-se enquadrados no Plano de Desenvolvimento Nacional e na Estratégia de Longo Prazo da Governação, que definem uma visão clara de transformação estrutural da economia, assente na competitividade, na valorização do sector privado e na integração regional”, apontou.
Neste contexto, reforçou o ministro angolano, o Corredor do Lobito assume um papel central como instrumento de concretização desta visão estratégica.
“Trata-se de um dos mais relevantes projectos de integração económica e logística do continente africano, posicionando-se como um eixo fundamental de ligação entre o Oceano Atlântico e os principais centros produtivos da região, com impacto directo, não apenas em Angola, mas também na República Democrática do Congo e na Zâmbia”, elencou.
Victor Hugo Guilherme considerou que o que está em causa não são apenas infra-estruturas de transporte, sublinhando que o Corredor do Lobito deve ser um motor de transformação económica.
Por outro lado, o ministro recordou que, em 2025, a economia do país registou um crescimento real do Produto Interno Bruno em cerca de 3, 13%, impulsionado pelo sector não petrolífero, evidenciando avanços no processo de diversificação económica.

“Paralelamente, a inflação reduziu para cerca de 15,7%, reflectindo políticas macroeconómicas prudentes e maior estabilidade interna, factores que têm contribuído para o reforço da confiança dos investidores”, salientou.
Entretanto, para 2026, prosseguiu, as projecções apontam para um crescimento económico em torno de 4,2%, sustentado sobretudo pelo sector não petrolífero que deverá crescer a uma taxa real de 4,73%, criando condições favoráveis para atrair investimento, aprofundar cadeias de valor e reforçar a integração económica regional.
“A relação entre Angola e a União Europeia tem registado avanços significativos, não apenas no plano político, mas também ao nível dos instrumentos concretos de facilitação e mobilização de investimento”, afirmou Victor Hugo Guilherme.
Durante a intervenção, o governante destacou ainda a assinatura do acordo de Facilitação de Investimento Sustentável, SIFA, entre Angola e a União Europeia, constitui um marco relevante melhoria do ambiente de investimento, promovendo maior transparência, simplificação administrativa e previsibilidade regulatória, elementos essenciais para o investimento ao longo prazo.
A estratégia Global Gateway da União Europeia, na sua visão, assume um papel central na mobilização de financiamento sustentável para infra-estruturas de qualidade, com essencial enfoque no Corredor do Lobito, enquanto iniciativa estruturante que integra investimentos em transportes, energia, candeias de valor e conectividade.
“Acrescentou ainda o contributo de iniciativas complementares, no quadro da cooperação bilateral com os países europeus, como o Plano Mattei, promovido pela Itália, e a iniciativa Choose Africa 2 pela França, mobilizando créditos, garantias e subvenções, que tem vindo a mobilizar recursos financeiros significativos para o reforço da cooperação económica com Angola, com enfoque em sectores estratégicos como energia, agricultura e infra-estruturas”, detalhou.
A abertura ao investimento estrangeiro, assinalou, constitui hoje uma prioridade estratégica nacional, sustentada por reformas que simplificam procedimentos, modernizam instituições e reforçam a segurança alimentar.





