O Governo de Moçambique anunciou que está a negociar com novos países fornecedores de combustíveis para minimizar os efeitos da crise de abastecimento provocada pelo conflito no Médio Oriente e pelas restrições à circulação marítima no estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo.
A confirmação foi feita pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, durante uma sessão parlamentar, onde reconheceu que o país enfrenta há várias semanas dificuldades significativas no fornecimento de gasolina e gasóleo.
“Temos estado a trabalhar com outros países para avaliar a possibilidade de acordos e parcerias entre Governos para o fornecimento de combustíveis”, afirmou o governante, sublinhando que o Executivo procura alternativas capazes de assegurar abastecimento regular e preços competitivos.
A crise já se faz sentir em várias províncias moçambicanas, com postos de abastecimento encerrados, longas filas para aquisição de combustíveis, limitação nas quantidades vendidas e redução da oferta de transportes públicos e privados. O cenário evidencia a elevada dependência do país das rotas energéticas do Médio Oriente, num contexto internacional marcado pela escalada das tensões entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
Segundo o secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam pelo estreito de Ormuz, actualmente condicionado devido ao agravamento do conflito regional.
Perante os deputados, Basílio Muhate explicou ainda que o Governo passou a recorrer a refinarias localizadas fora da região afectada, privilegiando rotas marítimas alternativas que não atravessem o estreito de Ormuz. Ainda assim, admitiu que o processo exige tempo e coordenação logística adicional.
“Queremos apelar à colaboração de todos. A falta de combustíveis afecta ambulâncias, transportes, famílias e a actividade económica em geral”, declarou o ministro, pedindo serenidade e união aos moçambicanos enquanto decorrem esforços diplomáticos e comerciais para estabilizar o abastecimento.
A situação expõe, simultaneamente, os riscos associados à forte dependência energética externa de várias economias africanas importadoras de combustíveis. No caso moçambicano, a actual crise poderá reacender o debate sobre a necessidade de reforço da capacidade regional de refinação, diversificação de fornecedores e criação de reservas estratégicas capazes de mitigar choques geopolíticos globais.





