Os preços em Moçambique aumentaram 0,63% em Abril, quase o triplo da variação registada em Março, segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), num agravamento impulsionado sobretudo pelo encarecimento dos produtos alimentares e pelas dificuldades de acesso a combustíveis em várias regiões do país.
O Índice de Preços no Consumidor (IPC) revela que o sector da alimentação e bebidas não alcoólicas voltou a exercer a maior pressão sobre a inflação mensal, contribuindo com 0,56 pontos percentuais (pp) para a variação total dos preços. O desempenho reforça a tendência de vulnerabilidade do mercado moçambicano às oscilações dos bens essenciais, particularmente num contexto de pressão logística e fragilidade do abastecimento interno.
Segundo a agência Lusa, entre os produtos com maiores subidas destacaram-se a couve, com um aumento de 29,4%, a alface (23%), o repolho (22,7%), a cebola (21,3%) e o tomate (13,8%). O peixe fresco subiu 5,9%, enquanto as motorizadas registaram um agravamento de 3%.
“Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,83 pp positivos”, refere o relatório do IPC divulgado pelo INE.
Os dados surgem num período marcado por fortes constrangimentos no acesso a combustíveis em diferentes pontos do país, um factor que analistas apontam como determinante para o aumento dos custos de transporte e distribuição de mercadorias, agravando a pressão sobre os preços ao consumidor.
Com este desempenho, a inflação acumulada nos primeiros quatro meses de 2026 fixou-se em 2,89%, enquanto a variação homóloga atingiu 4,41%.
Apesar da aceleração observada em Abril, o actual nível da inflação permanece abaixo das projecções do Governo moçambicano, que estima uma taxa em torno de 7% para 2025 e 2026. Ainda assim, os números indicam uma inversão parcial da trajectória de desaceleração verificada nos últimos meses.
Em 2025, os preços aumentaram 3,23%, abaixo dos registos de 2024 e das previsões oficiais. O país chegou mesmo a atravessar oito períodos mensais de deflação em menos de um ano e meio, incluindo quatro meses consecutivos entre Abril e Julho do ano passado, antes de retomar a tendência de subida a partir de Agosto.
A inflação acumulada de 2024 situou-se em 4,15%, abaixo dos 5,3% registados em 2023 e distante do pico de quase 13% atingido em Julho de 2022, no auge das pressões globais sobre energia e alimentos.





