O secretário-geral da ONU alertou, em Nairóbi, que África está a ser gravemente afetada pela guerra no Irão, sobretudo porque muitos países estão asfixiados pela dívida.
“Países que já pagam demasiado pelos seus empréstimos estão a ser obrigados a pagar ainda mais para importar energia ou fertilizantes, transportar mercadorias, alimentar a população e proteger os mais vulneráveis”, disse António Guterres na sede da ONU na capital do Quénia, onde lançou a primeira pedra do projecto de expansão desta sede, com um investimento de 340 milhões de dólares, que transformará o escritório no terceiro maior centro global da organização, a seguir a Nova Iorque e Genebra.
O impacto para África é especialmente grave porque “aproximadamente 13% das importações” do continente — principalmente de petróleo e fertilizantes — transitam pelo estreito de Ormuz, enquanto “quatro em cada cinco países são importadores líquidos de petróleo”, afirmou.
Neste contexto, o Guterres reiterou que “a desescalada é urgente, os direitos e liberdades de navegação devem ser restabelecidos” e Ormuz “deve ser reaberto na totalidade e de forma segura”, enquanto “todas as partes devem abster-se de qualquer ação que possa agravar o conflito”.
O secretário-geral referiu ainda os diferentes conflitos que assolam o continente africano, como os do Sudão, do Sudão do Sul ou da República Democrática do Congo (RDCongo).
Guterres também se deslocou a Nairóbi para participar na Cimeira África-França, que se realiza pela primeira vez num país que não é francófono.
“Com demasiada frequência, espera-se que os países africanos aceitem decisões tomadas em instituições nas quais não têm voz nem voto. (…) Precisamos de uma reforma profunda da arquitectura financeira internacional. Isto inclui o Conselho de Segurança, onde persiste uma injustiça histórica ao negar à África assentos permanentes”, salientou o secretário-geral, que antecipou a mensagem que vai transmitir na cimeira.
O chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, citado pela Lusa, disse nessa mesma cimeira, que África “precisa de investimentos” em vez de ajuda pública, acrescentando que a Europa já não tem capacidade de fornecer essa ajuda em abundância.
Ao seu lado, o Presidente do Quénia, William Ruto, defendeu investimentos na educação e nas infra-estruturas, nomeadamente para apanhar o comboio da revolução tecnológica da Inteligência Artificial (IA).





