Fitch mantém ‘rating’ de Angola e alerta para risco eleitoral nas contas públicas

A Fitch Ratings decidiu manter o rating de Angola em B-, com perspectiva estável, um sinal de que os riscos associados à trajectória económica do país permanecem equilibrados, mas advertindo para uma possível “derrapagem na despesa” pública à medida que se aproximam as eleições gerais de 2027. Na avaliação divulgada nesta Segunda-feira, 11 de Maio,…
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A aproximação das eleições gerais e a elevada dependência do petróleo continuam a limitar a percepção de risco sobre Angola, apesar da melhoria das contas públicas e da inflação.
Economia

A Fitch Ratings decidiu manter o rating de Angola em B-, com perspectiva estável, um sinal de que os riscos associados à trajectória económica do país permanecem equilibrados, mas advertindo para uma possível “derrapagem na despesa” pública à medida que se aproximam as eleições gerais de 2027.

Na avaliação divulgada nesta Segunda-feira, 11 de Maio, a agência considera que preços mais elevados do petróleo poderão reforçar as receitas fiscais, apoiar a consolidação orçamental e fortalecer as reservas internacionais. Contudo, entende que esse potencial é parcialmente anulado pelos riscos políticos e fiscais típicos de períodos pré-eleitorais, sobretudo num contexto social ainda sensível.

Segundo a agência Lusa, os analistas da Fitch alertam igualmente para a incerteza em torno da recuperação da produção petrolífera angolana, observando que um desempenho abaixo do esperado poderá comprometer parte dos ganhos económicos previstos para os próximos anos.

A manutenção da classificação em nível especulativo – vulgarmente designado por “lixo” nos mercados financeiros – continua associada, segundo a Fitch, a fragilidades estruturais da economia angolana, entre as quais indicadores de governação considerados fracos, inflação ainda elevada, forte exposição da dívida pública ao câmbio e elevada dependência das matérias-primas.

Apesar destas limitações, a agência reconhece sinais positivos nas contas externas e na trajectória da dívida pública. “Estas limitações são compensadas por excedentes da balança corrente e reservas internacionais acima da média dos pares, bem como por um rácio da dívida pública em declínio”, refere a nota.

A Fitch entende ainda que os protestos registados em Julho de 2025 contra o aumento dos combustíveis evidenciaram o potencial de instabilidade social no país, aumentando o risco de expansão das despesas públicas em programas sociais e investimento de capital antes das eleições. Ainda assim, os analistas antecipam continuidade política independentemente do desfecho eleitoral.

No plano externo, a agência prevê um reforço das reservas internacionais já em 2026, apesar das elevadas amortizações da dívida externa previstas até 2028. O excedente da balança corrente deverá igualmente melhorar de forma significativa, impulsionado pela entrada em operação de novos campos petrolíferos e por preços internacionais mais favoráveis do crude.

Do ponto de vista orçamental, a Fitch estima que o défice fiscal de 2025 tenha encerrado nos 4,5% do PIB, antecipando para este ano um saldo primário positivo, sustentado pelo aumento das receitas petrolíferas.

A trajectória da dívida pública também deverá continuar a melhorar. Depois de atingir 51% do PIB no final de 2025, a Fitch prevê que o rácio recue para menos de 46% este ano, beneficiando do crescimento nominal da economia e dos excedentes primários. Ainda assim, a elevada componente externa da dívida, equivalente a 72% do total, mantém Angola vulnerável à evolução cambial.

No capítulo monetário, a agência antecipa uma desaceleração gradual da inflação, que deverá recuar dos 12,4% registados em Março para cerca de 10% até ao final do ano. A estabilidade do kwanza, a manutenção de uma política monetária restritiva e os subsídios aos combustíveis são apontados como os principais factores de contenção da subida dos preços.

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