O Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, determinou nesta Segunda-feira a entrada imediata em operação dos 190 autocarros entregues no município da Matola, destinados ao reforço do transporte público de passageiros e ao transporte escolar na Área Metropolitana de Maputo, ao ordenar aos motoristas que saíssem de imediato para as paragens, sublinhando que “não temos tempo a perder, o povo está à espera nas paragens e vamos transportar o nosso povo”.
Falando na cerimónia, o Chefe do Estado enquadrou a iniciativa num contexto internacional marcado por forte instabilidade económica e energética, com impacto directo nos preços dos combustíveis e dos transportes.
“O aumento do preço dos combustíveis, dos transportes e dos bens essenciais não é um fenómeno isolado de Moçambique, é uma realidade global”, afirmou, destacando que o país optou por uma resposta centrada na acção governativa e no apoio às famílias.
O estadista sublinhou que o Governo tem vindo a adoptar medidas para mitigar os efeitos da crise, incluindo subsídios aos combustíveis, reforço da frota de transporte público e expansão do uso do gás veicular.
“Subsidiamos o preço dos combustíveis para reduzir a pressão sobre o custo do transporte público e sobre os bens de consumo do povo moçambicano”, declarou.
Por conseguinte, referiu ainda que o impacto do aumento dos transportes afecta directamente o custo de vida, defendendo o reforço da produção doméstica como forma de resposta. “Quando o custo de transporte sobe, não sobe apenas o preço da viagem, sobe o custo de vida no geral”, disse, apelando ao regresso à produção agrícola familiar nos quintais.
No balanço da política de mobilidade, o Presidente Chapo sublinhou que o Governo já entregou 300 autocarros em diferentes fases, incluindo os 100 anteriormente distribuídos em Nampula, os 190 agora entregues na Matola e os 10 destinados à província de Inhambane. Estes últimos integram o esforço de expansão do sistema de transportes e da transição energética.

O projecto introduz ainda o sistema electrónico “Baza”, com redução do custo da viagem para 12 meticais, face à média actual de 24 meticais. “Este não é apenas um investimento em mobilidade. É um investimento directo no capital humano moçambicano”, declarou.
O Chefe do Estado destacou igualmente que todos os autocarros funcionam a gás natural, como parte da estratégia de valorização dos recursos energéticos nacionais e redução do custo de vida. “O gás é moçambicano”, afirmou, sublinhando a ligação entre a produção energética e a mobilidade urbana.
Dos 190 autocarros entregues, 150 destinam-se aos municípios da Área Metropolitana de Maputo, incluindo Maputo, Matola, Marracuene, Manhiça, Boane, Namaacha e Matola-Rio, além do reforço da integração com o sistema ferroviário. A medida deverá beneficiar cerca de 2,8 milhões de passageiros por mês.
No encerramento, o Presidente da República reiterou o compromisso do Governo com a expansão do sistema de transporte público e com a melhoria das condições de mobilidade no país, defendendo um Moçambique mais resiliente e menos dependente de choques externos.
Nesse sentido, sublinhou que o investimento contínuo em autocarros movidos a gás, na modernização do transporte escolar e na ampliação da frota nacional constitui uma resposta estruturante que transforma recursos internos em soluções concretas para reduzir o custo de vida e fortalecer a independência económica do país.





