O investimento directo estrangeiro em Angola registou uma “contração muito acentuada” entre 2017 e 2025, passando de 29.436 milhões de dólares para 12.182 milhões de dólares em 2025, uma queda de 59%, segundo um estudo económico.
De acordo com o Relatório Económico Anual de 2025, elaborado pelo Centro de Investigação Económica (CINVESTEC) da Universidade Lusíada de Angola, esta descida de 29.436 milhões de dólares em 2017 para 12.182 milhões de dólares em 2025 “é particularmente desfavorável”, uma vez que o investimento directo estrangeiro “constitui a forma de financiamento externo mais associada à transferência de tecnologia, reforço da capacidade produtiva e estabilidade de longo prazo”.
A “retração prolongada”, observa o CINVESTEC, sugere uma “erosão persistente” da confiança dos investidores no ambiente de negócios em Angola e na previsibilidade regulatória – ainda que dados de 2025 mostrem “sinais incipientes de recuperação”, assinala.
Dados de 2025 sinalizam que o investimento estrangeiro em Angola aumentou de 64.763 para 74.967 milhões de dólares, mais 15,8%, com destaque para empréstimos externos e investimento directo.
Os empréstimos externos registaram um crescimento 8.770 milhões de dólares, sendo 4.288 milhões de dólares em novos empréstimos e o restante em valorizações “devido à depreciação do dólar face às moedas de emissão”, lê-se no relatório.
Relativamente ao investimento direto, este igualmente registou um aumento de 1.149 milhões de dólares para 12.182 milhões de euros, neste período, um percurso que corresponde à “inversão da tendência de desinvestimento líquido no sector petrolífero”.
O estudo sinaliza mesmo que o “significativo crescimento” do investimento direto externo não petrolífero que passou de 353,5 para 959,4 milhões de dólares, representa uma “importante inversão da tendência de estagnação em valores irrelevantes que se manteve em toda a legislatura”.
“A evidência empírica aponta para uma deterioração estrutural do perfil de financiamento externo de Angola desde 2017”, registando-se “progressiva substituição de capitais produtivos por instrumentos de endividamento e financiamento de curto prazo”.
Em sentido oposto, adianta o CINVESTC, citado pela Lusa, os empréstimos externos “reforçaram o seu peso relativo, tendo aumentado de 40.013 para 56.264 milhões de dólares.
Uma dinâmica que releva uma alteração estrutural do passivo externo, com o país a depender crescentemente de financiamento externo por dívida em detrimento de capitais próprios, “implicando maior vulnerabilidade externa, aumento dos encargos financeiros e maior risco de refinanciamento”.





