O volume das Reservas Obrigatórias dos bancos comerciais moçambicanos aumentou 7,5% no primeiro trimestre deste ano, atingindo cerca de 3,26 mil milhões de euros, numa demonstração de que os efeitos da política monetária restritiva implementada pelo banco central continuam a marcar o sistema financeiro do país.
Os dados constam do mais recente relatório estatístico do Banco de Moçambique, que mostra que, apesar do recente alívio das restrições monetárias, os níveis de liquidez retidos pela banca permanecem próximos de máximos históricos.
Em Dezembro de 2024, as reservas obrigatórias da banca comercial junto do banco central tinham atingido um recorde de 3.923 milhões de euros, imediatamente antes do Banco de Moçambique avançar, em Janeiro de 2025, com uma flexibilização parcial das medidas de contenção monetária.
O comportamento das reservas reflecte a estratégia agressiva adoptada pelo regulador moçambicano desde 2023 para retirar excesso de liquidez do sistema bancário e conter as pressões inflacionárias numa economia marcada por forte volatilidade cambial e aumento do custo de vida.
No início de Janeiro de 2023, os coeficientes de reservas obrigatórias estavam fixados em 10,5% para depósitos em moeda nacional e 11% para moeda estrangeira. Contudo, ao longo dos seis primeiros meses daquele ano, o banco central avançou com sucessivos aumentos das exigências de encaixe obrigatório.
Na altura, o regulador justificou a medida com a necessidade de “absorver a liquidez excessiva no sistema bancário, com potencial de gerar pressão inflacionária”.
O ponto mais elevado foi alcançado em Junho de 2023, quando os coeficientes passaram para níveis historicamente elevados: 39% dos depósitos em moeda nacional e 39,5% dos depósitos em moeda estrangeira passaram a ficar retidos sob a forma de reservas obrigatórias.
A decisão colocou uma pressão significativa sobre a capacidade de concessão de crédito da banca comercial, ao mesmo tempo que reforçou o controlo do banco central sobre a massa monetária em circulação.
Os números agora divulgados mostram a dimensão do aperto monetário implementado pelo regulador moçambicano nos últimos dois anos. Segundo dados citados pela Lusa, desde Dezembro de 2022, altura em que as reservas obrigatórias totalizavam cerca de 836 milhões de euro, o montante depositado pelos bancos junto do banco central aumentou quase 400% até ao final de 2024.
A evolução evidencia não apenas a intensidade da política monetária seguida pelo Banco de Moçambique, mas também os desafios persistentes das autoridades moçambicanas no equilíbrio entre controlo da inflação, estabilidade cambial e financiamento da economia.





