Moçambique registou cerca de 39.600 incidentes cibernéticos no ano passado, com destaque para fraudes em pagamentos electrónicos e burlas informáticas, que lideram os processos analisados pelo Ministério Público, anunciou a vice-procuradora-geral da República.
“Em Moçambique o fenómeno da cibercriminalidade tem vindo a crescer causando prejuízos económicos e comprometendo a confiança dos cidadãos nos meios digitais, afectando a segurança das transacções electrónicas”, disse Irene Uthui, durante a abertura do quarto Seminário de Cibercriminalidade, em Maputo.
Fazendo menção aos dados do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação em Moçambique, a vice-procuradora-geral da República avançou que em 2025 o país registou cerca de 39.600 incidentes cibernéticos.
“A fraude relativa a instrumentos de meios de pagamento electrónico e de burla informática nas comunicações representaram em conjunto cerca de 78% dos processos de cibercrime registados pelo Ministério Público no ano passado”, disse a responsável, assinalando que esse crime coloca agora “desafios acrescidos” às instituições responsáveis pela sua prevenção, investigação e responsabilização criminal.
Segundo Irene Uthui, a revolução tecnológica transformou a forma de interação social e até como se trabalha e realizam-se transações financeiras, entretanto, esse desenvolvimento alterou também como o crime é planeado, ocultado e executado.
“É assim que, paralelamente aos benefícios proporcionados pela transformação digital, coexistem desafios cada vez mais complexos para a segurança e para a justiça nas sociedades”, descreveu a vice-procuradora moçambicana.
O ministro das Comunicações e Transformação Digital moçambicano, Américo Muchanga, disse na ocasião que, para o país, a digitalização deixou de ser apenas uma “opção tecnológica” para se afirmar como um instrumento essencial de modernização do Estado, da dinamização da economia e de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, admitindo, contudo, que o avanço tecnológico traz novas responsabilidades.
“À medida que expandimos os serviços digitais, aumentam igualmente os riscos que ameaçam a confiança dos cidadãos, das empresas e das instituições. Se no passado as ameaças atravessavam fronteiras por terra, mar ou ar, hoje podem entrar silenciosamente através de um simples clique de uma mensagem que é aparentemente inofensiva ou de uma ligação à ‘internet’”, disse o governante.
Para Muchanga, os cibercrimes precisam de uma resposta “firme” e sem “complacência”, baseada na investigação, porque “o conhecimento, a inteligência e a capacidade técnica são determinantes para antecipar e neutralizar as ameaças”.
“A resposta deve ser alicerçada na cooperação, porque nenhum país ou instituição consegue enfrentar isoladamente um fenómeno de missão global e deve ser orientada pela responsabilização, porque a segurança do espaço digital depende do cumprimento da lei, da ética e do compromisso de todos os actores da nossa sociedade”, explicou Américo Muchanga, citado pela Lusa,





