“O meu objetivo principal é fazer com que os recursos minerais contribuam cada vez mais para a melhoria da qualidade da população angolana”. É ao mesmo tempo um ‘statement’, um objetivo que está a ser cumprido e o futuro de um país que está a assumir um lugar especial no sul do continente africano e, a partir daí, no globo. Este ‘statement’ é o projeto de vida (político) de Diamantino Azevedo, ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola. “Este é o meu objetivo central” ao cabo de dez anos a liderar o setor. Mas Diamantino Azevedo quis partilhar o sucesso: foi “à orientação que recebi do meu chefe, o presidente João Lourenço. Foi ele que me deu essa oportunidade de poder servir a este nível o nosso país, a nossa população e a missão foi clara”, disse.
“Queremos fazer com que cada barril de petróleo, cada quilate de diamante, cada metro cúbico de rocha ornamental, cada tonelada de cobre (que começámos a explorar o ano passado), de minério de ferro que se produz em Angola, seja maximizado. Ou seja, queremos deixar de ser simples produtores de matérias-primas brutas, queremos transformar essa matéria-prima em produtos intermediários, em produtos finais. E sermos o fator principal da diversificação da economia da Angola”, disse Diamantino Azevedo. Como se consegue? “Trabalhando com focos e em equipa”.
O ministro elencou brevemente (na medida do possível) aquilo que Angola tem feito no setor dos recursos naturais. Como ponto prévio, o ministro não se esqueceu de dizer que “dá a impressão que às vezes não estamos a fazer nada. Mas estamos”.

“Tínhamos uma única refinaria em Angola, dos anos 50. melhorámos essa refinaria: não aumentámos a sua capacidade, mas aumentámos a produção de gasolina em detrimento de resíduos e estabelecemos um programa para criar a refinaria de Cabinda, do Soio e do Lobito”. “Tínhamos apenas gás associado ao petróleo; no ano passado começámos a produzir gás não associado ao petróleo”. Estamos a construir uma fábrica de amónio-ureia. Provavelmente entrará em funcionamento a partir do gás. A amónio-ureia é um dos componentes do famoso NPK (nitrogênio, fosfato e potássio). Estamos a fazer uma fábrica da amónio-ureia, um investimento de cerca de 2,5 mil milhões de dólares. Vamos exportar amónia, estamos a trabalhar em minas de fosfato, vamos ter o fosfato, estamos à procura de potássio. Teremos todos os componentes essenciais dos fertilizantes”.
“Estamos a explorar a cobre em Angola”, mas não só: “todos sabem qual é a importância do nióbio e que mais de 80% das reservas estão no Brasil. Angola vai começar a explorar o nióbio em breve”. Mais: “Angola já foi um grande produtor de minério de ferro, antes da independência. Estamos a trabalhar num projeto para reiniciar a produção de minério de ferro, mas acoplado à siderurgia: vamos começar a produzir aço”. “Um país, no estágio de desenvolvimento nosso, precisa de fertilizantes, precisa de aço, precisa de cimento, precisa de energia e precisa de pessoas”, afirmou Diamantino Azevedo.

O setor dos diamantes é outro em plena evolução. “Até 2017, tínhamos apenas uma única fábrica de lapidação de diamantes em Angola. Construímos o Polo de Desenvolvimento Diamantino de Saurimo. Hoje já temos 10 fábricas de lapidação de diamantes, duas escolas tecno-profissionais, estamos a formar os nossos próprios lapidadores. Ainda este ano inauguramos mais uma ou duas.
Mas há muito mais no pipeline. “Angola produz ouro em quantidades pequenas. Este ano inauguraremos a nossa refinaria de ouro”. “Há um tempo atrás, nós decidimos proibir a exportação de quartzo em bruto – Angola exportava; fizemos uma análise profunda e decidimos não mais exportar quartzo”. “Temos em Angola, em curto espaço de tempo, seis fábricas que fazem o silício metalúrgico”. “Quando começámos a produzir poli-silício, quem nos vai impedir de produzir os painéis solares?”
Ajuda não, obrigado
Para Diamantino Azevedo, tudo isto e muito mais está à disposição dos empresários e investidores. Mas não, frisou, para ajudar: “não venham ter comigo e dizer que vêm ajudar. No meu ministério, quem entra vem fazer negócio numa lógica win-win: vocês pretendem algo, nós pretendemos algo. Se houver entendimento, vamos trabalhar em conjunto. Por favor, não usem essa palavra comigo. Há interesses. Vocês têm o vosso, nós temos o nosso”, disse, pragmático.
“A visão é nossa. Os senhores estão convidados a participar. Podem dar-me ideias de como implementar a nossa visão, eu aceito, tenho a humildade suficiente. Mas, por favor, a visão é nossa. E é debaixo dessa visão que podem e venham e são convidados e desejados a investir no setor de petróleo e recursos minerais da Angola, pelo menos enquanto eu for o ministro”.
E deixou um conselho: os empresários portugueses têm de deixar para trás “a inércia” que por vezes os carateriza e olharem para Angola como um lugar de investimento – no sentido, frisou, de entendimentos de negócio que sejam positivos para as duas partes.





