Mais de 142 mil são-tomenses escolhem hoje o Presidente num clima de elevada tensão política

Mais de 142 mil eleitores são chamados este Domingo às urnas para eleger o próximo Presidente de São Tomé e Príncipe, numas eleições que decorrem sob forte observação internacional e num contexto de elevada crispação política, embora sem registo de incidentes de maior durante as primeiras horas de votação. As urnas abriram às 07h00 locais,…
ebenhack/AP
São Tomé e Príncipe enfrenta hoje um dos mais relevantes testes políticos dos últimos anos, com quatro candidatos na corrida presidencial, forte atenção internacional e um ambiente de tensão alimentado por sucessivos confrontos políticos nas últimas semanas.
Líderes

Mais de 142 mil eleitores são chamados este Domingo às urnas para eleger o próximo Presidente de São Tomé e Príncipe, numas eleições que decorrem sob forte observação internacional e num contexto de elevada crispação política, embora sem registo de incidentes de maior durante as primeiras horas de votação.

As urnas abriram às 07h00 locais, registando pequenas filas em alguns locais de voto e um ambiente considerado tranquilo. Na Escola Básica Dona Maria de Jesus, uma das principais assembleias da capital, encontravam-se mesmo mais observadores internacionais do que eleitores no momento da abertura, ilustrando a reduzida afluência inicial.

A disputa presidencial opõe quatro candidatos, mas a corrida concentra-se essencialmente entre o actual Presidente, Carlos Vila Nova, candidato à reeleição, e Nito d’Abreu, apoiado pela Acção Democrática Independente (ADI). Eugénio Tiny e Miques João concorrem sem apoio partidário relevante e tiveram campanhas praticamente inexistentes.

Já o antigo primeiro-ministro Jorge Bom Jesus desistiu da candidatura depois de expirado o prazo legal, mantendo, ainda assim, o seu nome no boletim de voto, sendo considerados nulos os votos nele depositados.

Nas primeiras duas horas de votação, o presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Jeudiger do Nascimento, confirmou uma fraca participação eleitoral e revelou a existência de dois bloqueios à instalação das urnas, no Ilhéu das Rolas e na Praia de Messias Alves, ambas localidades situadas a sul da capital.

O responsável explicou ainda que, noutros pontos do país, a votação demorou a arrancar porque grupos de cidadãos permaneciam junto das assembleias sem exercer o direito de voto.

Apesar destes constrangimentos, Jeudiger do Nascimento mostrou-se confiante na normalização do processo ao longo do dia e lançou um apelo à participação.

“Se as pessoas estão com raiva, este é o momento de expressar essa raiva fazendo uma opção. Agora o povo é o juiz”, afirmou.

Principais candidatos apelam à participação massiva

Depois de exercer o seu direito de voto, Carlos Vila Nova apelou à participação dos cidadãos e pediu aos partidos políticos que contribuam para preservar a estabilidade institucional do país.

“O povo são-tomense tem a cultura da paz, da harmonia e da boa convivência social”, afirmou o chefe de Estado, advertindo que “ninguém deve colocar em causa esta coesão”.

Questionado sobre os bloqueios registados durante a manhã, classificou-os como “um direito mal exercido”, defendendo que a melhor forma de expressar o descontentamento é através do voto.

Também Nito d’Abreu apelou aos eleitores para votarem “em consciência”, pedindo que coloquem “o país em primeiro lugar” e contribuam para evitar conflitos e violência.

O candidato da ADI defendeu igualmente que as barricadas não constituem solução para os problemas sociais e políticos, apelando ao diálogo entre as comunidades. Quanto aos resultados eleitorais, afirmou que os aceitará desde que sejam “justos, sem fraude e sem desvio de urnas”.

As eleições decorrem depois de uma campanha marcada por forte polarização política. Na véspera do período de reflexão, a página oficial de Carlos Vila Nova numa das redes sociais foi alvo de publicações não autorizadas, situação que voltou a repetir-se no Sábado, juntamente com a circulação de mensagens de propaganda eleitoral e de alegadas sondagens falsas nas plataformas digitais.

Perante estes episódios, a Comissão Eleitoral Nacional reconheceu limitações na capacidade de fiscalização, admitindo dispor de apenas nove elementos para acompanhar eventuais irregularidades.

O processo eleitoral conta, por isso, com uma expressiva presença de missões internacionais de observação, destacando-se delegações da União Europeia, União Africana, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), G-7+ e Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).

Segundo a CEN, estão inscritos 142.191 eleitores, dos quais 121.670 residem em São Tomé e Príncipe e 20.521 pertencem à diáspora, distribuída por países europeus e africanos.

Para o acto eleitoral foram instaladas 358 assembleias de voto, incluindo 287 no território nacional e as restantes no estrangeiro.

Apesar da crispação política que antecedeu o escrutínio e dos constrangimentos registados nas primeiras horas de votação, o processo arrancou sem incidentes de maior, mantendo São Tomé e Príncipe a expectativa de confirmar, uma vez mais, a tradição de realização pacífica de eleições, considerada uma das principais marcas da sua democracia desde a instauração do multipartidarismo.

*Com Lusa

Mais Artigos