O Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, iniciou o segundo mandato com um apelo à estabilidade política, económica e social e ao reforço da credibilidade das instituições, defendendo que estes factores são indispensáveis para recuperar a confiança, atrair investimento, criar emprego e sustentar o crescimento económico do arquipélago.
“Só com estabilidade se constrói confiança, e só com a confiança se promove o desenvolvimento”, afirmou o chefe de Estado, durante a cerimónia de tomada de posse realizada esta Quinta-feira na Assembleia Nacional. Para Vila Nova, um país marcado pela incerteza e pela instabilidade terá maiores dificuldades em captar capital, gerar emprego e construir prosperidade.
O Presidente são-tomense advertiu, contudo, que estabilidade não deve ser confundida com imobilismo. “A estabilidade não significa imobilismo, não é silêncio perante os problemas”, disse, defendendo antes a criação de condições para “trabalhar, investir, produzir e planear o futuro” do país.
A mensagem coloca a confiança institucional e a previsibilidade do ambiente económico no centro da agenda presidencial para os próximos anos, num pequeno mercado insular que procura reforçar a capacidade de atrair investimento e criar novas oportunidades de crescimento.
Vila Nova defendeu uma abordagem mais ambiciosa e responsável à economia, sublinhando que o crescimento não pode ser medido apenas pelos indicadores inscritos nos relatórios oficiais, mas pelo seu impacto concreto na vida dos cidadãos.
“O desenvolvimento económico exige instituições credíveis, exige regras claras, exige transparência, responsabilidade na gestão dos recursos públicos e uma administração capaz de servir os cidadãos e apoiar aqueles que querem trabalhar e investir”, referiu, citado pela Lusa.
A responsabilização na gestão pública deverá igualmente assumir maior importância no segundo mandato. O Presidente defendeu o reforço de uma cultura de prestação de contas, lembrando que o exercício do poder constitui uma responsabilidade temporária e deve estar orientado para o interesse colectivo.
“Quem exerce funções de liderança deve compreender que o poder não é propriedade de ninguém. O poder é um serviço, é uma responsabilidade temporária, que deve ser exercida em benefício da comunidade”, declarou.
Sem prometer uma resolução imediata dos problemas estruturais do país, Vila Nova reafirmou o compromisso com o trabalho, o diálogo e a responsabilidade, bem como com os princípios que sustentam uma sociedade democrática.
“Estou plenamente consciente que essa renovação de confiança representa uma exigência para que eu faça mais e melhor”, sublinhou, acrescentando que pretende trabalhar com maior determinação em favor dos são-tomenses.
Entre os principais desafios apontados pelo Presidente estão a educação, a criação de emprego, o combate à pobreza, a justiça e o crescimento económico. Vila Nova defendeu que a resposta a estes problemas exige uma participação alargada da sociedade e uma maior cooperação entre os diferentes poderes e sectores.
Nesse sentido, apelou à construção de uma “verdadeira cultura de cooperação”, baseada no diálogo e na interdependência entre os poderes instituídos e os diferentes sectores da sociedade, defendendo a necessidade de construir “pontes onde muitas vezes foram construídos muros”.
“São Tomé e Príncipe tem todas as condições para construir um futuro melhor, mas esse futuro não será construído apenas pelos dirigentes […] será construído por todos nós”, insistiu.
Segundo mandato
Carlos Vila Nova tomou posse pela segunda vez como Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, numa cerimónia realizada na Assembleia Nacional que contou com a presença de vários chefes de Estado e de Governo estrangeiros.
Entre os convidados estiveram os Presidentes da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, e do Gabão, Brice Clotaire Oligui Nguema, além dos chefes dos governos de Portugal, Luís Montenegro, de Moçambique, Maria Benvinda Delfina Levi, da Guiné Equatorial, Manuel Osa Nsue Nsua, e de Marrocos, Aziz Akhannouch. Salta à vista o facto de nenhum Chefe de Estado de países-membros da CPLP – que se fez representar pela sua secretária-executiva Fátima Jardim – ter marcado presença. Por Angola esteve, em representação do Presidente da República, o ministro das Relações Exteriores, Tetê António.
Vila Nova foi reeleito em 19 de Julho, à primeira volta, com 55,88% dos votos, superando Nito D’Abreu, que obteve 41,46%, Miques João, com 1,59%, e Eugénio Tiny, com 1,07%.
Aos 67 anos, o engenheiro de telecomunicações, que exerceu funções ministeriais em governos liderados por Patrice Trovoada, tornou-se o quinto Presidente de São Tomé e Príncipe, depois de Manuel Pinto da Costa, Miguel Trovoada, Fradique de Menezes e Evaristo Carvalho.




