A União Europeia (UE) considerou que as eleições presidenciais realizadas no passado Domingo confirmaram São Tomé e Príncipe como uma “democracia resiliente”, mas advertiu que a abstenção recorde constitui um dos principais desafios para o sistema democrático do arquipélago.
A posição foi expressa pela embaixadora da organização, Cécile Abadie, que manifestou disponibilidade para apoiar iniciativas destinadas a aumentar a participação eleitoral.
“As missões têm todas percepções positivas. As eleições foram bem organizadas e pacíficas e confirmam que São Tomé e Príncipe é uma democracia resiliente, mas podemos melhorar a questão da participação”, afirmou a diplomata, após um encontro com o primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos.
Segundo Cécile Abadie, o chefe do Governo atribuiu a elevada abstenção – que atingiu 58,81%, um máximo histórico em eleições presidenciais – a um conjunto de factores de natureza política e logística.
Perante este cenário, a representante europeia defendeu um esforço concertado entre os partidos políticos, a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) e as instituições do Estado para promover uma maior participação dos cidadãos nos próximos actos eleitorais.
“É importante que todos os partidos, a Comissão Eleitoral Nacional e os actores políticos trabalhem juntos para permitir que os cidadãos participem nas próximas eleições”, sustentou, citada pela Lusa.
A diplomata reafirmou igualmente o compromisso da União Europeia em continuar a apoiar o Estado são-tomense, quer através dos programas de cooperação em curso, quer na implementação das recomendações que resultarão da Missão de Observação Eleitoral da UE, que acompanhou as presidenciais e permanecerá no arquipélago até às eleições legislativas, autárquicas e regionais marcadas para 27 de Setembro.
Os dados preliminares divulgados na Segunda-feira pelo presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Jeudiger Nascimento, indicam que a taxa de abstenção atingiu 58,81%, estabelecendo um novo recorde nas eleições presidenciais do país.
Para encontrar um nível de abstenção semelhante é necessário recuar a 2016, quando a participação foi fortemente afectada pela desistência de um dos candidatos antes da segunda volta, fazendo subir a abstenção para cerca de 54%.
Apesar dos sucessivos apelos à participação lançados pelo Governo, pela Comissão Eleitoral Nacional, pelas missões internacionais de observação e pelos candidatos, a mobilização do eleitorado ficou aquém das expectativas.
Entre os eleitores residentes no território nacional, a abstenção cifrou-se em 55,23%, enquanto na diáspora atingiu 79,97%, evidenciando um afastamento ainda mais expressivo dos cidadãos residentes no exterior.
A elevada abstenção emerge, assim, como um dos principais desafios políticos para São Tomé e Príncipe. Embora o processo eleitoral tenha sido amplamente elogiado pela comunidade internacional pela sua transparência e normalidade, os níveis de participação sugerem uma crescente necessidade de reforçar o envolvimento cívico e a confiança dos eleitores.





