“Não podemos advogar qualquer tipo de violência e intolerância que ameace a pazˮ – Presidente da CEAST

O Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e Arcebispo de Saurimo, José Manuel Imbamba, manifestou, nesta Segunda-feira, preocupação com o aumento dos índices de violência e condenou os acontecimentos registados na província do Uíge. O prelado falava no final de uma audiência com presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, com…
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José Manuel Imbamba manifestou preocupação com o aumento dos índices de violência e condenou os acontecimentos registados na província do Uíge, no final de uma audiência com presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida.
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O Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e Arcebispo de Saurimo, José Manuel Imbamba, manifestou, nesta Segunda-feira, preocupação com o aumento dos índices de violência e condenou os acontecimentos registados na província do Uíge.

O prelado falava no final de uma audiência com presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, com quem manteve uma reflexão conjunta sobre o actual ambiente social e político do país, marcado por sinais de crescente intolerância e violência.

“Não podemos advogar qualquer tipo de violência, qualquer tipo de intolerância ou qualquer situação que ameace a paz ou o convívio social”, afirmou José Manuel Imbamba.

O arcebispo explicou que a audiência serviu para analisar os últimos acontecimentos registados no país e identificar formas de as instituições contribuírem positivamente para a promoção de uma cultura de convivência, pluralismo, amizade social e diálogo.

José Manuel Imbamba considerou ainda que, 50 anos depois da Independência Nacional, Angola precisa de “dar um salto de qualidade” na forma de convivência entre os cidadãos e na construção da Nação.

“Uma das respostas aos desafios actuais passa pelo reforço da educação para a cidadania. Segundo Dom José Manuel Imbamba, o país tem concentrado demasiadas energias na formação de militantes, em detrimento da formação de cidadãos conscientes dos seus direitos, deveres e responsabilidades na sociedadeˮ, disse.

Quanto ao papel da Assembleia Nacional, defendeu que o Parlamento deve constituir um exemplo de diálogo, tolerância e convivência democrática, por reunir representantes de diferentes forças políticas.

Questionado sobre o processo de reconciliação nacional e os caminhos para superar o actual ambiente de confrontação, José Manuel Imbamba apontou a necessidade de uma mudança de mentalidade e da adopção de novos paradigmas culturais, ideológicos e de convivência.

Na sua perspectiva, a consolidação da paz e da reconciliação nacional exige o compromisso de todos os sectores da sociedade com o diálogo, o respeito pela diferença e a rejeição de qualquer forma de violência ou intolerância.

Confrontos com a Polícia Nacional na província do Uíge

Recorde-se que no Sábado passado, Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, dez com gravidade, na sequência da intervenção da polícia junto à sede da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no Uíge.

Os incidentes ocorreram quando a Polícia Nacional cercou a sede provincial do partido, para impedir um ato político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi.

De acordo com o secretário-geral da JURA, organização juvenil do partido, Nelito Ekuikui, os feridos com gravidade continuam internados, enquanto os que sofreram ferimentos ligeiros tiveram alta ao longo da noite de Sábado.

O responsável relatou que os militantes se encontravam em frente ao secretariado provincial da UNITA quando a polícia começou a disparar gás lacrimogéneo, obrigando-os a refugiar-se no interior da sede.

Entretanto a Polícia Nacional justificou a intervenção com a tentativa da UNITA de realizar uma actividade partidária em “local impróprio”, junto ao tribunal da comarca, considerando também reprovável o fecho de ruas para atos políticos.

“Um dos partidos políticos queria realizar o ato defronte aos órgãos de soberania (…). Automaticamente, acionaram-se as forças para que se impedisse a realização desse ato nesse local”, afirmou à Televisão Pública de Angola o chefe do departamento de comunicação institucional da polícia no Uíge, superintendente-chefe Luís Freitas Jamba.

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