O Paraíso 2026 regressa a Braga nos dias 11 e 12 de Setembro com uma programação que cruza música, cinema, dança, pensamento crítico e gastronomia, colocando no centro do debate as relações entre memória, identidade, herança colonial e construção de futuro na afrodescendência.
Sob o tema “Passado e Futuro na Afrodescendência”, o festival volta a reunir criadores, investigadores e organizações em torno das expressões artísticas e culturais afrodescendentes e lusófonas.
A edição deste ano parte de uma questão central: como construir novos futuros a partir das heranças recebidas e das realidades que comunidades e indivíduos constroem colectivamente? É a partir deste ponto que o Paraíso propõe dois dias de programação assentes nos eixos da Performance, do Pensamento e da Mediação, consolidando-se como um espaço de criação, reflexão e escuta activa.
A programação estende-se por diferentes espaços culturais da cidade, nomeadamente o Theatro Circo, o gnration e a Livraria Centésima Página, e aborda temas como a contestação das estruturas de colonialidade, a educação antirracista nas artes, a participação comunitária e o papel dos agentes culturais na construção de novas narrativas sobre identidade e pertença.
Segundo comunicado enviado à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, a edição de 2026 conta com curadorias especializadas da Bantumen, de Rosa Cabecinhas, através do projecto Conciliare, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, e de Kitty Furtado, responsável pelo olhar curatorial sobre o cinema. A coordenação curatorial está a cargo de Nuno Abreu.
A programação arranca na sexta-feira, 11 de Setembro, às 18h00, na Livraria Centésima Página, com a conversa “Que formas de existir entre o que herdamos e o que construímos?”, assinada pela Bantumen. A sessão reúne David Ferreira, da Secção de Estudantes Africanos da Universidade do Minho, Isabel Macedo, do Conciliare, e Saidatina Khady Dias, da Conquista Vontades – Associação dos Imigrantes Senegaleses em Portugal, com moderação de Marisa Rodrigues. O encontro pretende dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por organizações e pessoas na cidade de Braga em torno destas questões.
Às 21h30, o gnration recebe a exibição gratuita de “Si Destinu” (2015), da realizadora Vanessa Fernandes, seguida de uma conversa com a investigadora Kitty Furtado sobre as diferentes expressões do Black Gaze no cinema.
No sábado, 12 de Setembro, a programação começa às 11h00, no gnration, com a apresentação pública do processo de criação do Manual Antirracista para as Artes e Educação, dinamizada por Dori Nigro, Melissa Rodrigues e Raquel Lima, em representação da União Negra das Artes.
A dimensão comunitária ganha expressão às 13h00, com um almoço preparado pela chef cabo-verdiana Ana Teresa Correia, que terá no menu cachupa rica e cachupa vegetariana. A componente musical ficará a cargo do DJ angolano Chipula.
O debate regressa às 15h00, com a sessão “Arte, participação e práticas de contestação da colonialidade: o papel da criação colectiva na construção de futuros alternativos”, curada pelo Conciliare. António Zaqueu, Luege D’ Olim e Sarina Azevedo partilham experiências pessoais sobre participação, memória, identidade e pertença no espaço público, numa conversa moderada por Luiza Lins.
Às 16h30, Eddie Folige conduz um workshop de dança dedicado às raízes da kizomba, novamente com acompanhamento musical de DJ Chipula, reforçando a dimensão performativa do festival e a ligação entre memória cultural e práticas artísticas contemporâneas.
O encerramento está reservado para as 21h30, no Theatro Circo, com o concerto da Cesária Évora Orchestra, numa homenagem à “Diva dos Pés Descalços”. O espectáculo junta em palco as vozes de Ceuzany, Elida Almeida e Lucibela, além do compositor Teófilo Chantre, num tributo à obra e ao legado de uma das figuras mais internacionais da música cabo-verdiana.
Com uma programação que combina criação artística, investigação, participação comunitária e reflexão crítica, o Paraíso 2026 procura, assim, deslocar o debate sobre afrodescendência da simples celebração cultural para uma discussão mais ampla sobre memória, representação, identidade e construção de futuros possíveis.
Todas as iniciativas têm entrada gratuita, com excepção do concerto da Cesária Évora Orchestra. A participação no almoço comunitário requer inscrição prévia através do endereço participaca@fazcultura.pt.com.





