Nilza Rodrigues

Ainda hoje consigo sentir o que senti há cinco anos quando encostei o rosto à primeira Forbes África Lusófona acabada de sair da gráfica. Manias. Gosto do cheiro do papel. Gosto da textura das páginas. Gosto daquele instante em que uma ideia deixa de ser apenas uma ideia para se transformar em algo real. Talvez seja por isso que, cinco anos depois, continue a recordar tão bem o nascimento deste projecto.

Teve dois. Nascimentos. O primeiro na imaginação de uma equipa que acreditou que fazia sentido criar uma Forbes para os países africanos de língua portuguesa. E lembro-me da ansiedade. Daquela espera que todos os que constroem alguma coisa conhecem bem. A espera por uma resposta. Por uma decisão. Até que chegou o “good to go”. A oportunidade de juntar à família Forbes uma publicação dedicada aos países africanos de língua portuguesa foi uma conquista. Ter a maior revista de negócios do mudo a olhar para a lusofonia foi uma benção. A partir daí, deixámos de sonhar com o projecto. Passámos a ter a responsabilidade de o construir. E passámos a não ter vida própria até ao seu nascimento. Mergulhados em orçamentos, estratégias e projeções, a transformar uma ambição editorial num projeto sustentável, cada um numa geografia diferente, o que nos obrigava a reuniões ao nascer do sol. A Cristiana com as folhas de excell, o Raul com a estratégia, O Francisco com as primeiras pautas, o Vasco e a Raquel a imaginar cada detalhe de um design que tinha a missão de respeitar a força de uma marca global, mas também de lhe dar identidade própria. Isto tudo ao mesmo tempo, a testar os limites da omnipresença e longe de um cronograma bonitinho com timing para tudo. Não havia tempo. Havia sandes para todos. E havia uma pressão maior. Lá em cima. Há quem tenha algum pudor em falar dos accionistas. Não tenho. Porque os projetos não nascem apenas das equipas que lhes dão forma. Precisam também de quem acredite neles quando ainda são apenas uma visão. E não posso escrever sobre estes cinco anos sem falar de N’Gunu Tiny. O fundador. O nosso farol, mas também a nossa “panela de pressão”.  A pressionar, a desafiar, a juntar à nossa ansiedade a urgência do lançamento. Com a sua visão para África, definimos um caminho e, já não sei como, algures por esse atalho, o sentido de missão foi-se construindo.

Para lá de tudo, havia uma dificuldade adicional. Estávamos a construir uma revista para vários países africanos num tempo em que o mundo se tinha fechado sobre si próprio. Os contactos eram mais difíceis. As deslocações mais limitadas. As entrevistas mais complexas. E, ainda assim, queríamos criar uma publicação capaz de aproximar pessoas, mercados, líderes e comunidades que, apesar de unidos pela língua portuguesa, nem sempre tinham tido oportunidade de se conhecer melhor. Parecia um remar contra a maré. Foi um exercício de persistência. E quando a primeira edição chegou às nossas mãos houve um sentimento coletivo impossível de esquecer. We did it.

Não era apenas uma revista. Era a materialização de meses de trabalho, dúvidas, discussões, cálculos, decisões e esperança. Era a prova de que era possível criar uma plataforma verdadeiramente lusófona, feita de África para África e para todos os que acreditam no potencial desta comunidade.

Cinco anos depois, a revista ganhou asas. Cresceu para o digital através do site e das redes sociais. Criou conferências, eventos, debates e encontros. Deu voz a empreendedores, gestores, investidores, criadores e líderes de vários mercados. Aproximou geografias e reforçou laços entre países que partilham uma língua, uma história e, cada vez mais, oportunidades comuns.

Continuamos a ser uma revista feita com exigência. Continuamos a procurar histórias que merecem ser contadas. E continuamos a ser, na minha opinião absolutamente imparcial, uma das Forbes mais bonitas do mundo.

Porque nestes cinco anos construímos muito mais do que uma publicação. Construímos uma comunidade. Um ponto de encontro entre diferentes lusofonias. Um espaço onde o português serve de ponte e não de fronteira.

Talvez por tudo isto não pudesse deixar passar este marco, sem escrever estas linhas.

Este editorial estava no meu coração desde o primeiro de Agosto.. Mas os últimos tempos têm sido vividos à velocidade a que se vive numa casa editorial inquieta. Novos projetos a saírem do forno. Novas ideias a borbulhar. Novos desafios a pedirem atenção. A certeza permanente de que há sempre mais uma capa para fechar, mais uma edição para construir, mais um sonho para concretizar.

E no meio de tudo isso existe uma convicção que estes cinco anos só reforçaram. Temos equipa. Nem sempre pensamos da mesma forma. Nem sempre concordamos. Nem sempre vemos o caminho pelos mesmos olhos. Fair enough.

Os projectos que valem a pena são feitos de opiniões fortes, debates intensos e ideias diferentes. Mas, no final do dia, juntos para o bem e para o mal foi assim que nasceu a Forbes África Lusófona. Foi assim que cresceu. E é assim que continuará a escrever os próximos capítulos da sua história.

Pego na primeira FAL, como carinhosamente chamamos entre nós, e continuo a sentir e a saber ao mesmo que naquele primeiro dia.

Ao sabor raro dos sonhos concretizados.

 

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