A expansão do oleoduto que liga o Porto da Beira ao Zimbabwe para uma capacidade de cinco milhões de metros cúbicos de combustíveis por ano deverá reforçar a segurança energética, dinamizar o comércio regional e consolidar o Corredor da Beira como uma plataforma de desenvolvimento económico da África Austral, numa aposta conjunta de Moçambique e Zimbabwe, que os Presidentes Daniel Chapo e Emmerson Mnangagwa apresentam como estratégica para responder ao crescimento da procura e aprofundar a integração regional.
A aposta foi reafirmada nesta Quarta-feira, em Nhamatanda, província de Sofala, onde os dois Chefes de Estado lançaram a primeira pedra do projecto de aumento da capacidade de bombagem da Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbabwe, infra-estrutura que assegura, há cerca de quatro décadas, o transporte de produtos petrolíferos entre o Porto da Beira e o Zimbabwe.
No seu discurso de ocasião, o Presidente Chapo destacou o papel do oleoduto na segurança energética e na integração económica regional, sublinhando que a sua expansão ocorre num contexto de crescimento das cidades e das actividades de mineração, agricultura, indústria, transportes, logística e comércio, que elevam a procura por energia.
“Este oleoduto transporta combustível, mas transporta também cooperação, confiança e interdependência entre os nossos países e povos”.
A primeira fase da expansão elevou a capacidade do oleoduto de dois milhões para três milhões de metros cúbicos de combustível por ano, enquanto a etapa agora iniciada prevê a construção de novas estações de bombagem em Nhamatanda, em Sofala, e Messica, em Manica, permitindo atingir cinco milhões de metros cúbicos anuais. Do lado zimbabueano, a expansão é acompanhada pelo aumento da capacidade do oleoduto Feruka-Harare.
Para o Presidente da República, os investimentos devem ser entendidos como parte de uma visão integrada para transformar o Corredor da Beira num eixo de desenvolvimento regional.
“Estamos perante uma visão coordenada de integração logística e energética entre os nossos dois países e os dois povos”, afirmou, defendendo que Moçambique deve aproveitar a sua localização geográfica para se afirmar como plataforma logística da África Austral.
Neste sentido, apontou para a necessidade de transformar os corredores moçambicanos de simples rotas de trânsito em corredores de desenvolvimento, com a instalação de indústrias, centros logísticos, unidades de agro-processamento, zonas económicas especiais, zonas francas industriais e pequenas e médias empresas. “A industrialização, o comércio e a integração regional, essas é que são as nossas visões”, declarou.
O Chefe do Estado defendeu ainda que a expansão deve gerar benefícios directos para as comunidades e para a economia moçambicana, sobretudo através da criação de emprego e do envolvimento de empresas nacionais.
“Queremos que este investimento se traduza em empregos dignos e qualificados para os nossos jovens, particularmente em Sofala e Manica”, disse, apelando também à protecção da infra-estrutura, das famílias e das comunidades instaladas ao longo da sua faixa de servidão.
Por seu turno, Mnangagwa considerou a expansão estratégica para os dois países e para a SADC, salientando que o aumento da capacidade deverá contribuir para aliviar estrangulamentos na cadeia de abastecimento de combustíveis e reforçar a eficiência e a fiabilidade do Corredor da Beira.
O Presidente zimbabweano destacou ainda a importância da segurança energética para a produção e produtividade nos sectores da agricultura, mineração, indústria, transportes e construção.
Os dois Presidentes defenderam que a expansão do oleoduto representa também um passo concreto na transformação da integração regional em benefícios económicos.
“As nossas fronteiras políticas não devem transformar-se em fronteiras económicas”, disse o estadista moçambicano, enquanto o homólogo do Zimbabwe reiterou a disponibilidade do seu país para trabalhar com Moçambique na promoção do desenvolvimento socioeconómico colectivo, num processo que, segundo os dois líderes, deve converter a histórica solidariedade entre os povos numa base para a prosperidade partilhada.




