Angola poderá necessitar de cerca de 70 mil milhões de dólares de investimento público e privado até 2050 para desenvolver infra-estruturas de transporte e distribuição de gás, segundo as projecções apresentadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), durante a pré-conferência da Angola Oil & Gas (AOG) 2026, realizada esta Terça-feira, 8, em Luanda.
A dimensão do investimento projectado está directamente associada ao crescimento esperado da procura interna. De acordo com Saleno Sebastião, chefe do Departamento da Direcção de Infra-estruturas e Gás Natural da ANPG, o consumo poderá aumentar de aproximadamente 30 milhões de pés cúbicos por dia, em 2025, para 500 milhões de pés cúbicos diários em 2050.
A projecção representa uma multiplicação de mais de 16 vezes da procura actual e coloca a expansão da rede de transporte, processamento e distribuição como uma das condições necessárias para transformar o gás num recurso com maior peso na actividade económica e industrial do país.
Ao apresentar o Plano Director do Gás, Saleno Sebastião explicou que a estratégia está estruturada em quatro pilares: recursos de gás natural, infra-estruturas, mercado e enquadramento regulatório. O objectivo é criar uma ligação mais eficiente entre a produção de gás e os diferentes mercados de consumo, reduzindo os constrangimentos que podem limitar a expansão da utilização do recurso.
A implementação do plano está prevista em três fases geográficas. A primeira deverá concentrar-se em Cabinda, Soyo e Zaire, aproveitando activos já existentes, incluindo o Angola LNG e outras instalações de tratamento de gás.
A segunda fase deverá abranger Luanda, Cuanza-Sul e Benguela, com a expansão de infra-estruturas de processamento, exportação de condensados e ligações ao Corredor do Lobito, aproximando a cadeia de valor do gás de importantes centros industriais e logísticos.
Numa terceira etapa, a rede deverá avançar para o Sul do país, incluindo o Namibe, onde estão a ser consideradas soluções de regaseificação para responder ao aumento esperado da procura por parte dos sectores da mineração, logística e outras actividades industriais.
A estratégia coloca o desenvolvimento das infra-estruturas no centro da política de expansão do mercado de gás. Mais do que aumentar a oferta, o desafio passa por criar as condições para transportar o recurso, colocá-lo junto dos principais centros de consumo e assegurar procura suficiente para justificar a escala de investimento prevista.





