Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram um segundo trimestre marcado por sinais aparentemente contraditórios no setor turístico caboverdiano. Entraram nos estabelecimentos hoteleiros mais 23.238 hóspedes do que no período homólogo de 2025, mas foram contabilizadas menos 8.148 dormidas.
A explicação passa, em parte, pela redução do tempo de permanência. A estadia média caiu de 4,9 para 4,5 noites, enquanto a taxa de ocupação-cama perdeu oito pontos percentuais num ano, fixando-se nos 52%.
Os turistas estrangeiros continuam a dominar amplamente a procura. Os não residentes representaram 96,4% dos hóspedes e 98% das dormidas, contra apenas 3,6% e 2%, respetivamente, dos residentes em Cabo Verde.
O Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor, com 70.774 hóspedes, equivalentes a 26,5% dos visitantes estrangeiros, e mais de 364 mil dormidas. Portugal surge em segundo lugar, com 49.440 hóspedes e 259.655 dormidas, seguido por França e Alemanha.
A procura continua igualmente muito concentrada em duas ilhas. O Sal recebeu 62,1% dos hóspedes registados no país e concentrou 59,5% das dormidas. A Boa Vista ficou em segundo lugar, com 18,1% dos hóspedes, mas representou 29,5% das dormidas.
Os hotéis continuam a ser, de longe, a principal opção de alojamento, concentrando 86,1% dos hóspedes e 86,9% das dormidas.
Os números confirmam, assim, a manutenção do crescimento da procura turística por Cabo Verde em termos de chegadas, mas mostram também um desafio para o setor: mais hóspedes estão a entrar nos hotéis, mas permanecem menos tempo e a capacidade instalada está a ser utilizada abaixo dos níveis registados há um ano.





