As importações africanas de motocicletas e triciclos eléctricos provenientes da China aumentaram 60% no primeiro semestre de 2026, para 114,6 milhões de dólares, revelando o crescimento da procura por soluções de mobilidade eléctrica no continente, mas também uma transição marcada por fortes diferenças entre regiões.
Os países do Norte de África, com destaque para Marrocos, Egipto e Argélia, concentraram a maior parte deste crescimento e tornaram-se importantes destinos para scooters eléctricas chinesas totalmente montadas.
Marrocos liderou o mercado africano no período, com 80.188 unidades importadas, avaliadas em 21,7 milhões de dólares, seguido pelo Egipto e pela Argélia.
O crescimento das importações ganha particular relevância num continente onde os veículos de duas e três rodas representam uma parcela significativa da frota em circulação e desempenham um papel importante nas actividades comerciais e nos serviços de mobilidade urbana.
A substituição gradual dos motores a gasolina e diesel por sistemas eléctricos poderá, por isso, contribuir para reduzir o consumo de combustíveis e a poluição atmosférica nos grandes centros urbanos.
O movimento, contudo, não é uniforme. Enquanto o Norte de África se destaca pela importação de veículos eléctricos acabados, os investimentos em startups e infra-estruturas associadas à mobilidade eléctrica estão mais concentrados na África Oriental e Central.
Nestas regiões, as empresas estão a apostar na criação de fábricas de montagem locais, redes de troca de baterias e ecossistemas destinados às motocicletas comerciais, procurando não apenas aumentar a utilização de veículos eléctricos, mas também desenvolver capacidade produtiva e serviços associados dentro dos próprios mercados africanos.
Na África Subsaariana, a África do Sul registou o maior volume de importações no primeiro semestre, com 19.635 bicicletas eléctricas, avaliadas em 6,9 milhões de dólares.
A evolução do mercado sugere, assim, duas frentes distintas na electrificação da mobilidade africana: de um lado, países que estão a acelerar a adopção através da importação de veículos chineses; de outro, mercados onde o investimento começa a deslocar-se para a produção, montagem e criação de infra-estruturas de suporte.
Para um continente fortemente dependente de combustíveis fósseis no transporte e onde as motocicletas têm peso significativo na mobilidade comercial, a expansão dos veículos eléctricos de duas e três rodas poderá tornar-se uma das portas de entrada mais acessíveis para a electrificação dos transportes. O desafio estará em transformar o aumento das importações numa oportunidade para desenvolver cadeias de valor, competências técnicas e capacidade industrial local.





