A instabilidade política constitui o principal entrave à atracção de investimento privado chinês na Guiné-Bissau, segundo o relatório “Investimento e Cooperação Cinturão e Rota China-África”, apresentado esta Quarta-feira, em Bissau.
O estudo, elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Economia e Gestão da Universidade Jean Piaget da Guiné-Bissau, conclui que a instabilidade política, associada à falta de previsibilidade legal e às fragilidades do ambiente de negócios, limita a capacidade do país de transformar o potencial de cooperação com a China em investimento privado efectivo.
A cautela empresarial surge de forma expressiva nos resultados do inquérito realizado pelos investigadores: 45% das empresas consultadas rejeitaram a hipótese de investir em países africanos, com particular incidência na Guiné-Bissau. Em sentido contrário, 19% dos operadores económicos manifestaram interesse em concentrar investimentos nos sectores de infra-estruturas e engenharia de construção.
As conclusões foram divulgadas pela comunicação social guineense e consultadas pela Lusa nas redes sociais.
Durante a apresentação do relatório, o coordenador do grupo de investigação, Ansu Mancal, defendeu que o Estado guineense deve adoptar uma “estratégia mais assertiva” de divulgação económica, de modo a aproximar o tecido empresarial chinês das oportunidades existentes no país.
Para os investigadores, um maior conhecimento sobre o mercado e as oportunidades locais poderá favorecer uma participação mais efectiva da Guiné-Bissau na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, lançada por Pequim em 2013 e apresentada pela China como um mecanismo central para canalizar fluxos financeiros destinados ao desenvolvimento de infra-estruturas.
O relatório enquadra ainda a realidade guineense no contexto mais amplo das relações económicas entre a China e África, apontando que Pequim injectou mais de 295 mil milhões de dólares no continente durante o período abrangido pelo estudo.
Apesar da dimensão desses fluxos, os autores sublinham que as empresas chinesas adoptam critérios rigorosos antes de decidir sobre novos investimentos. Entre os factores considerados estão o ambiente sociocultural, o enquadramento político e legal, as condições logísticas e industriais, a evolução das políticas de cooperação bilateral e a capacidade de expansão do mercado local.
Neste contexto, a Guiné-Bissau enfrenta o desafio de transformar as relações de cooperação com a China em investimento produtivo e sustentável. A existência de oportunidades em sectores como infra-estruturas e construção poderá não ser suficiente para compensar os riscos associados à instabilidade e à reduzida previsibilidade do mercado.
Perante o cenário de retração e desconfiança identificado, os autores recomendam ao Governo guineense a implementação de reformas estruturais orientadas para a estabilização política, a previsibilidade legal e a consolidação do clima de negócios.
Na perspectiva do estudo, a criação dessas condições será determinante para que a Guiné-Bissau consiga capitalizar o potencial de cooperação com a economia chinesa e converter a relação bilateral em maior capacidade de atracção de capital privado.





