Angola pode atrair nova vaga de fusões e aquisições no petróleo e gás

Angola está bem posicionada para beneficiar do aumento da actividade de fusões e aquisições (M&A) no sector do petróleo e gás, num contexto de maior procura por oportunidades nos mercados internacionais e de entrada de novos operadores independentes no segmento de upstream. A avaliação foi feita por JP Hanson, director-geral e responsável global do Grupo…
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Apesar dos desafios associados ao contexto internacional, responsável global do Grupo de Petróleo e Gás da Houlihan Lokey mantém uma perspectiva positiva para a evolução das operações de fusões e aquisições no sector dos hidrocarbonetos.
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Angola está bem posicionada para beneficiar do aumento da actividade de fusões e aquisições (M&A) no sector do petróleo e gás, num contexto de maior procura por oportunidades nos mercados internacionais e de entrada de novos operadores independentes no segmento de upstream.

A avaliação foi feita por JP Hanson, director-geral e responsável global do Grupo de Petróleo e Gás da Houlihan Lokey, durante a Conferência e Exposição Angola Oil & Gas (AOG) 2026.

Segundo o responsável, o histórico de transacções realizadas no mercado angolano, aliado ao ambiente de investimento e à diversidade de oportunidades existentes em projectos onshore e offshore, coloca o país numa posição favorável para captar novos negócios no sector dos hidrocarbonetos.

“Já existe um vasto historial de transacções em Angola”, afirmou JP Hanson, acrescentando que o dinamismo registado durante a conferência, associado ao ambiente favorável ao sector, deverá contribuir para a continuidade desta tendência.

O responsável da Houlihan Lokey considera ainda que a base de investidores interessados em Angola poderá expandir-se para além das grandes companhias petrolíferas internacionais e das empresas petrolíferas nacionais (NOC) que já actuam no país.

Na sua perspectiva, o mercado poderá assistir ao crescimento da participação de empresas independentes, líderes nacionais e investidores internacionais interessados em oportunidades tanto em terra como no mar.

“Continuaremos a assistir não só à participação das grandes empresas globais e das empresas petrolíferas nacionais, mas também ao surgimento de uma nova classe de empresas independentes e de líderes nacionais”, sustentou.

A tendência ocorre num momento em que o mercado global de fusões e aquisições no sector do petróleo e gás atravessa uma mudança na distribuição geográfica das operações.

Mercado internacional ganha peso

JP Hanson explicou que, historicamente, cerca de 70% do volume global de transacções de petróleo e gás estava concentrado nos Estados Unidos, enquanto os restantes 30% correspondiam aos demais mercados.

No primeiro semestre de 2026, porém, essa relação alterou-se para aproximadamente 50% nos Estados Unidos e 50% no resto do mundo, mantendo-se nesse nível até Setembro.

“O que estamos a assistir é a um surgimento mais acentuado de oportunidades globais fora dos EUA”, afirmou o responsável, admitindo que a participação dos mercados internacionais poderá chegar a uma relação de 60% para 40%.

A actividade global de M&A também registou uma recuperação depois da desaceleração observada no início do ano. De acordo com Hanson, Janeiro e Fevereiro apresentaram níveis de actividade superiores aos registados em qualquer trimestre de 2025, antes de as tensões geopolíticas e a volatilidade dos preços das matérias-primas afectarem o ritmo das transacções.

A recuperação começou em Junho, com o período entre Junho e Agosto a destacar-se pelo aumento significativo da actividade de fusões e aquisições.

Empresas independentes ganham espaço

A evolução do mercado internacional está igualmente a criar novas oportunidades para empresas independentes de menor dimensão, que procuram capital para participar em projectos do sector.

Hanson explicou que algumas destas empresas têm estabelecido parcerias com fundos de capital de risco, family offices e empresas de menor capitalização bolsista, enquanto outras aproveitam o actual contexto económico para financiar novas oportunidades e assumir uma participação mais relevante em projectos.

Para Angola, a diversificação das fontes de capital poderá contribuir para sustentar o investimento no segmento de upstream, num contexto marcado pela exposição do país à volatilidade dos preços das matérias-primas.

Segundo as projecções citadas pelo responsável, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que Angola produza cerca de 1,05 milhões de barris de petróleo por dia em 2026.

As exportações de petróleo e gás deverão representar cerca de 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as receitas relacionadas com o petróleo deverão corresponder a aproximadamente 7,6% do PIB.

Apesar dos desafios associados ao contexto internacional, JP Hanson mantém uma perspectiva positiva para a evolução das operações de fusões e aquisições no sector dos hidrocarbonetos.

“Estou optimista em relação às fusões e aquisições e à conclusão de negócios”, afirmou, destacando a existência de “um verdadeiro impulso e vontade de investir e de canalizar fundos a nível global para o sector dos hidrocarbonetos”.

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