O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê contribuir com aproximadamente 500 milhões de dólares para investimentos relacionados com o Corredor do Lobito, através de financiamento soberano e não soberano, numa nova fase da parceria com Angola orientada para a diversificação económica, o desenvolvimento de cadeias de valor e a integração regional.
A previsão foi apresentada esta quarta-feira, 16 de Setembro, durante a apresentação, pelo BAD e pelo Ministério do Planeamento (MINPLAN), da Revisão da Eficácia do Desenvolvimento de Angola (CDER), documento que avalia os resultados da parceria entre 2016 e 2025 e identifica prioridades para a próxima etapa de cooperação.
Desde 2013, o BAD comprometeu cerca de 2,9 mil milhões de dólares em Angola, destinados a projectos nos sectores da energia, agricultura, água e saneamento, governação, juventude e empreendedorismo, inovação e desenvolvimento do sector privado.
A nova aposta no Corredor do Lobito assume particular relevância pela sua capacidade de articular infra-estruturas com sectores produtivos, mercados regionais e cadeias de valor, ultrapassando a lógica de investimento isolado em infra-estruturas e colocando o corredor como uma plataforma potencial de integração económica.
Entre os novos projectos em preparação ou implementação destacam-se ainda o Projecto de Desenvolvimento da Cadeia de Valor Agrícola do Leste de Angola, avaliado em 211,4 milhões de dólares, e o Projecto de Emprego para Jovens em Angola (Crescer), no valor de 125 milhões de dólares, além do reforço dos investimentos em saneamento nas cidades costeiras.
Os resultados já alcançados dão dimensão ao impacto da parceria. Segundo o relatório, cerca de 1,3 milhões de pessoas passaram a ter acesso à electricidade, enquanto aproximadamente 550 mil pessoas beneficiaram de acesso novo ou melhorado a água potável segura e cerca de 30 mil passaram a beneficiar de melhores condições de saneamento.
O BAD apoiou igualmente 270 empresas, cerca de 50 mil agricultores na adopção de tecnologias melhoradas e resilientes às alterações climáticas e quase três mil pessoas através de programas de desenvolvimento de competências.
Os investimentos tiveram expressão em diferentes regiões do país. Em Cabinda, por exemplo, a intervenção combinou produção e processamento agrícola, infra-estruturas, financiamento e capacitação, tendo permitido formar mais de 53 mil agricultores através de 602 Escolas de Campo para Agricultores.
Na área da ciência e tecnologia, o apoio incluiu 161 bolsas de pós-graduação, 73 projectos de investigação e 1.204 raparigas no ensino secundário em áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), além do reforço das infra-estruturas de investigação.
Para o BAD, estes resultados constituem uma base para uma nova etapa de investimento, particularmente num contexto em que Angola procura reduzir a dependência do petróleo e aumentar o peso das actividades produtivas capazes de gerar emprego, valor acrescentado e receitas para a economia.

O relatório identifica, neste sentido, sinais de transformação estrutural. Em 2025, a agropecuária e a silvicultura representaram 23,06% do Produto Interno Bruto (PIB), tornando-se a actividade com maior peso na estrutura produtiva do país. O dado reforça o potencial da agricultura e das cadeias de valor associadas para a diversificação económica, embora a transformação desse peso em maior produtividade, industrialização e valor acrescentado continue a depender de investimento e infra-estruturas adequadas.
“O relatório reflecte a solidez e a maturidade da parceria entre Angola e o Banco Africano de Desenvolvimento. O nosso envolvimento cresceu significativamente em escala e âmbito e, sobretudo, traduz-se em resultados concretos para as pessoas, empresas e comunidades. Mantemos o compromisso de consolidar esta base sólida, em estreita colaboração com o Governo de Angola”, afirmou Pietro Toigo, representante residente do BAD em Angola.
Na mesma linha, o Secretário de Estado para o Planeamento, Luís Kondjimbi Kaíca Epalanga, considerou que a revisão deve servir para orientar as próximas decisões de investimento.
“A Revisão da Eficácia do Desenvolvimento de Angola centra-se, em última análise, nos resultados: compreender o que a parceria alcançou, retirar ensinamentos da experiência e utilizar essas evidências para reforçar os investimentos futuros”, referiu.
Segundo o governante, os resultados obtidos constituem uma plataforma para ampliar o impacto através do investimento produtivo, do desenvolvimento do capital humano e de infra-estruturas resilientes.
A estratégia do BAD para Angola está alinhada com a Visão 2050 de Angola, o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 e o Documento de Estratégia do País 2024-2029, que privilegia a diversificação económica e a industrialização impulsionada pelo sector privado, apoiadas por investimentos em infra-estruturas e capital humano.
A revisão enquadra ainda a próxima fase da parceria nos quatro pontos cardeais definidos pelo presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah: desbloquear o capital africano, reformar a arquitectura financeira do continente, aproveitar o dividendo demográfico e construir infra-estruturas resilientes e cadeias de valor competitivas.
O relatório conclui que Angola dispõe de activos relevantes para acelerar a transformação da economia, nomeadamente o potencial agrícola, os recursos de energia limpa, a localização estratégica na região e uma população jovem.
A concretização desse potencial, contudo, dependerá da capacidade de converter estes activos em investimento produtivo, emprego, maior integração regional e cadeias de valor com capacidade de gerar valor acrescentado.





