O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento de Moçambique defendeu, a 16 de Outubro de 2026, o reforço da mobilização de recursos internos, a melhoria da eficiência da despesa pública e a atracção de investimento privado responsável como medidas fundamentais para impulsionar o desenvolvimento económico do país.
A posição foi apresentada durante o lançamento do Relatório com Foco no País de 2026, dedicado a Moçambique, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), subordinado ao lema “Mobilizar em larga escala o financiamento para o desenvolvimento de Moçambique num mundo fragmentado”.
Na ocasião, o governante destacou a parceria de longa data entre Moçambique e o BAD, estabelecida em 1977, que tem contribuído para o financiamento de projectos estruturantes e para a produção de conhecimento técnico destinado a apoiar a formulação de políticas públicas.
Ao analisar o desempenho recente da economia moçambicana, o responsável salientou que o crescimento económico abrandou de 2,1% em 2024 para 0,2% em 2025. Segundo explicou, esta evolução reflecte os efeitos das perturbações pós-eleitorais, dos choques climáticos, das restrições de financiamento e do fraco desempenho de sectores importantes da economia.
Neste contexto, considerou que 2025 deve ser encarado como um ponto de partida para uma recuperação económica ainda frágil, sublinhando a necessidade de adoptar medidas capazes de reforçar a resiliência e criar condições para um crescimento mais consistente.
O governante defendeu igualmente que a avaliação do desempenho económico não deve limitar-se aos indicadores de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), devendo considerar também a capacidade da economia de acompanhar o crescimento populacional, gerar emprego, aumentar os rendimentos das famílias e reduzir os níveis de pobreza.
Apesar das oportunidades de desenvolvimento de que Moçambique dispõe, o responsável reconheceu a existência de limitações estruturais que exigem soluções para além do recurso ao endividamento. Entre as prioridades apontadas estão o reforço das receitas internas, a melhoria da qualidade e eficiência da despesa pública, a preparação de projectos economicamente viáveis e a mobilização de investimento privado responsável.
O secretário de Estado reiterou ainda a importância de uma actuação coordenada entre o Banco Africano de Desenvolvimento, os restantes parceiros de desenvolvimento, o sector privado, a academia e a sociedade civil, defendendo que esta colaboração é determinante para transformar as recomendações do relatório em resultados concretos para a economia nacional.
Entre os mecanismos considerados relevantes para esse processo, destacou a preparação de projectos de qualidade, a disponibilização de financiamento concessional, a utilização de garantias financeiras e a transferência de conhecimento técnico.
Por sua vez, o representante residente do BAD em Moçambique, Rômulo Corrêa, explicou que o Relatório com Foco no País (Country Focus Report – CFR) é uma publicação analítica e estratégica de referência, elaborada anualmente para complementar o diagnóstico económico nacional apresentado nas Perspectivas Económicas em África de 2026 e nas Perspectivas Económicas Regionais da África Austral.
O documento apresenta uma análise dos principais desafios e oportunidades da economia moçambicana, contribuindo para o debate sobre alternativas de financiamento e políticas públicas capazes de promover um crescimento económico mais inclusivo e sustentável.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de identificação de soluções para ampliar as fontes de financiamento do desenvolvimento, fortalecer a capacidade de resposta da economia moçambicana aos choques externos e internos e criar condições para uma melhoria sustentável das condições de vida da população.





