Angola prevê beneficiar 7,5 milhões de pessoas com novos sistemas de abastecimento de água

Angola está a reforçar os investimentos no sector hídrico, com a implementação de projectos estruturantes destinados a combater os efeitos da seca no sul do país e a expandir o acesso à água potável, com destaque para os sistemas de Quilonga Grande e Bita, que deverão beneficiar, em conjunto, cerca de 7,5 milhões de consumidores…
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Governo prevê inaugurar o sistema de Quilonga Grande em Dezembro deste ano e colocar em funcionamento o projecto Bita em meados de 2027, reforçando o abastecimento de água em Luanda e Icolo e Bengo.
Economia

Angola está a reforçar os investimentos no sector hídrico, com a implementação de projectos estruturantes destinados a combater os efeitos da seca no sul do país e a expandir o acesso à água potável, com destaque para os sistemas de Quilonga Grande e Bita, que deverão beneficiar, em conjunto, cerca de 7,5 milhões de consumidores em Luanda e Icolo e Bengo.

A informação foi avançada esta Quinnta-feira, em Luanda, pelo Presidente da República, João Lourenço, ao destacar as medidas adoptadas pelo Executivo para enfrentar a escassez de água, um problema que, durante décadas, afectou vastas regiões do sul de Angola, condicionando a produção agrícola, a criação de animais e as condições de vida das populações.

Nabertura oficial da 4.ª edição da Bienal de Luanda — Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, o Chefe de Estado disse que o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola está a produzir resultados, com a entrada em funcionamento de infra-estruturas destinadas à captação, retenção e transferência de água, permitindo transformar zonas áridas em áreas com melhores condições para o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e de outras actividades económicas.

Entre os projectos destacados está o sistema de transferência de água do Cafu, a partir do rio Cunene, que entrou em funcionamento em 2022. A este empreendimento juntam-se as barragens do Ndue e do Calucuve, bem como os respectivos canais adutores, que entraram em funcionamento em Setembro deste ano, reforçando a capacidade de retenção e distribuição de água no sul do país.

Para João Lourenço, estas infra-estruturas contribuem igualmente para reduzir as tensões e os conflitos associados à disputa por água e pastagens, factores que podem provocar movimentos migratórios desordenados e pressionar os centros urbanos, além de gerar tensões entre comunidades e países vizinhos.

O Presidente da República sublinhou que a gestão responsável dos recursos hídricos constitui uma prioridade para os países africanos, defendendo que os investimentos neste domínio devem responder às necessidades das populações e criar condições para o desenvolvimento económico e social.

Quilonga Grande e Bita vão reforçar abastecimento em Luanda

No domínio do abastecimento de água potável, o Executivo prevê inaugurar, em Dezembro de 2026, o sistema de Quilonga Grande, concebido para abastecer cerca de cinco milhões de habitantes de Luanda e Icolo e Bengo.

Já o sistema Bita deverá entrar em funcionamento em meados de 2027, com capacidade para beneficiar aproximadamente 2,5 milhões de pessoas nas mesmas províncias. Em conjunto, os dois projectos deverão ampliar o acesso à água para cerca de 7,5 milhões de consumidores.

O Chefe de Estado salientou que a produção e distribuição de água com padrões de qualidade permanecem entre as prioridades nacionais, justificando os investimentos realizados em todo o território, incluindo capitais provinciais, sedes municipais e outros aglomerados populacionais.

Angola defende cooperação regional na gestão da água

Ao abordar os desafios hídricos do continente, João Lourenço considerou que a experiência angolana no combate à seca poderá servir de referência para outros países africanos que enfrentam problemas semelhantes de escassez de água.

O Presidente defendeu o reforço dos mecanismos de cooperação regional, através da operacionalização de comités e comissões de gestão transfronteiriça das bacias hidrográficas, considerando-os instrumentos essenciais para fortalecer a confiança entre Estados e promover a diplomacia preventiva.

O governante apelou ainda aos Chefes de Estado, líderes comunitários, jovens e cidadãos africanos para conjugarem vontade política e capacidade técnica na construção de uma governação hídrica justa e sustentável.

A 4.ª edição da Bienal de Luanda — Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência deverá contribuir para a elaboração de propostas concretas para o Pacto Continental sobre a Governação da Água, bem como para a definição de um roteiro de acções capaz de produzir melhorias duradouras nas condições de vida das populações africanas.

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