A barreira linguística continua a ser um dos principais obstáculos à entrada de empresas dos países de língua portuguesa no mercado chinês, apesar das oportunidades comerciais entre os dois espaços.
Para ultrapassar este constrangimento, o Círculo de Negócios em Língua Portuguesa (CNLP) formalizou a sua filial em Macau, com o objectivo de aproximar empresas lusófonas, chinesas e de outros mercados internacionais.
“A nossa grande dificuldade está a ser mesmo a língua”, afirmou a presidente fundadora do CNLP, Olga Amorim, à margem da 31.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF), apontando o uso do cantonês e do mandarim e a limitada utilização do inglês por alguns parceiros locais como entraves à comunicação empresarial.
O desafio surge num contexto de crescimento das trocas comerciais. Segundo dados citados pela Lusa, as exportações lusófonas para a China aumentaram 22,1% entre Janeiro e Agosto deste ano, para 105,8 mil milhões de dólares, o melhor arranque de ano de sempre.
A organização pretende, contudo, ir além da promoção das exportações para a China. “Não estamos aqui só para trazer produtos e serviços para Macau ou para a China. Queremos também levar produtos e serviços da Ásia para a Europa, para África e para os Estados Unidos”, explicou Olga Amorim.
Além da língua, as exigências regulamentares, as certificações e o cumprimento da legislação sectorial representam outros obstáculos à internacionalização. Para a responsável, muitas empresas falham por tentarem entrar simultaneamente em vários mercados sem uma estratégia definida.
“Temos primeiro de perceber quais são os mercados em que queremos entrar. (…) Temos de nos focar num ou dois mercados e trabalhar as certificações e a legislação desses países”, defendeu, sublinhando a necessidade de preparação, acompanhamento especializado e cooperação entre empresas e instituições públicas.
Olga Amorim revelou ainda que as empresas ligadas à rede internacional do CNLP geraram cerca de sete milhões de euros em volume de negócios durante o primeiro ano e meio de actividade. A organização espera atrair, até Março de 2027, empresas chinesas e de Macau interessadas em expandir-se para a Europa, África e América do Norte.
A responsável considera que a consolidação destas ligações depende também da confiança e da credibilidade entre parceiros, factores que exigem tempo e relações comerciais consistentes.





