A qualidade da informação financeira das empresas, a segurança jurídica e a liquidez são alguns dos principais desafios da banca angolana, apontou esta Segunda-feira, 26, o presidente do conselho de administração do Banco Caixa Angola, Patrício Vilar, defendendo que a concessão de crédito deve privilegiar o mérito dos projectos económicos, em vez de depender essencialmente das garantias patrimoniais dos promotores.
Em entrevista à imprensa à margem da 1ª edição do Matemática Financeira Experience (MF X), sob o lema “O Próximo Ciclo do Mercado Financeiro Angolano — Antecipar. Decidir. Liderar”, após intervir no painel de debate sobre “Os desafios do sector bancário em Angola”, o responsável considerou que as empresas devem apresentar informação credível e certificada por entidades independentes, de modo a permitir que os bancos avaliem com maior rigor a viabilidade dos projectos e tomem decisões de financiamento fundamentadas.
Na sua perspectiva, o PCA do Banco Caixa Angola disse que a análise da informação financeira deve assumir um papel central na avaliação do risco de crédito, permitir que os projectos sejam financiados pela sua capacidade de gerar resultados, e não apenas pelo património pessoal dos seus promotores.
No entanto, Patrício Vilar identificou igualmente a segurança jurídica como um factor determinante para o funcionamento do sistema bancário, sobretudo no que respeita à recuperação dos valores concedidos em caso de incumprimento.
O gestor defendeu que os imóveis utilizados pelas empresas, nomeadamente as instalações que podem servir de garantia aos empréstimos, devem estar devidamente legalizados e registados, permitindo a sua utilização como colateral nas operações de crédito.
Segundo o responsável, as dificuldades relacionadas com a regularização e o registo de propriedades podem limitar a capacidade dos bancos de constituírem garantias válidas e de recuperarem os valores financiados quando os devedores deixam de cumprir as suas obrigações.
No domínio da liquidez, apontou três mecanismos para reforçar a capacidade de financiamento das instituições bancárias, o aumento de capital, as fusões entre bancos e a constituição de sindicatos bancários para financiar projectos de maior dimensão.
“Esta última modalidade permite que várias instituições financeiras participem conjuntamente no financiamento de um mesmo investimento, distribuindo os riscos e mobilizando recursos que, individualmente, poderiam ser insuficientes”, disse.
Por outro lado, questionado sobre o papel da banca no financiamento do sector privado, o PCA afirmou que financiar a economia sempre foi uma das funções fundamentais dos bancos, considerando que a elevada procura de financiamento por parte do Estado condicionou, durante muito tempo, a distribuição do crédito.
O responsável observou, contudo, que o crescimento das empresas e da economia privada tem criado novas oportunidades para o sector bancário, sobretudo à medida que os agentes económicos melhoram a qualidade da informação disponibilizada às instituições financeiras.
Como exemplo, indicou que o Banco Caixa Angola apresenta actualmente uma taxa de transformação de 45%, excluindo o financiamento concedido ao Estado. Para Vilar, o indicador representa uma evolução significativa face aos níveis registados há cerca de seis anos, quando rondava os 20%, nas melhores condições.
“A taxa de transformação mede, neste contexto, a proporção dos recursos captados que é convertida em crédito, constituindo um dos indicadores utilizados para avaliar a actividade de financiamento das instituições bancárias”, acrescentou.
Em relação aos sectores que recebem financiamento do Banco Caixa Angola, Patrício Vilar destacou os petróleos e os diamantes, que continuam a ocupar uma posição relevante na economia nacional.
O gestor referiu igualmente o crescimento da presença do banco no sector industrial, em actividades específicas, e na distribuição alimentar, áreas que considera importantes para o desenvolvimento da economia real.
Na sua perspectiva, o crescimento do sector bancário deverá acompanhar a expansão da actividade empresarial, num processo em que o aumento da capacidade produtiva das empresas poderá criar novas oportunidades de crédito e contribuir para a diversificação económica.
Patrício Vilar defendeu ainda a melhoria da informação financeira, o reforço da segurança jurídica e o desenvolvimento de mecanismos de financiamento mais robustos são condições essenciais para ampliar o acesso das empresas ao crédito e fortalecer a contribuição da banca para o crescimento económico de Angola.





