A empresa brasileira Embrapa Cerrados e a Companhia Agrícola do Sul S.A. (CAS), empresa privada angolana do sector agropecuário, assinaram, recentemente, um acordo de cooperação técnica e financeira para o desenvolvimento de inoculantes microbianos destinados às culturas de soja, feijão e milho em Angola.
A iniciativa visa reforçar a produção agrícola nacional através da investigação científica, desenvolvimento e inovação, com foco na adaptação de tecnologias brasileiras às condições dos sistemas produtivos angolanos. A expectativa é contribuir para o aumento da produtividade das culturas e melhorar o desempenho ambiental das explorações agrícolas.
Os trabalhos serão coordenados tecnicamente pelo pesquisador da Embrapa Cerrados, Fábio Bueno, com a participação dos investigadores Ieda Mendes, Cícero Pereira e Luiz Gustavo Moretti.
O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, destacou o potencial da cooperação para transformar o conhecimento científico em benefícios concretos para Angola e Brasil, sobretudo no desenvolvimento tecnológico e na melhoria da qualidade de vida das populações.
Segundo Werneck, a parceria reúne condições para impulsionar iniciativas conjuntas em ciência e tecnologia, orientadas para o desenvolvimento dos dois países.
Por sua vez, o pesquisador José Roberto Peres, responsável pela articulação da iniciativa, considerou o acordo um marco na cooperação entre a Embrapa e o continente africano, por envolver directamente uma empresa privada na investigação e transferência de tecnologia.
O responsável defendeu que a participação do sector empresarial é fundamental para garantir a aplicação prática dos resultados científicos e fortalecer as parcerias internacionais. A expectativa é que o projecto sirva de referência para futuras iniciativas de cooperação entre instituições brasileiras e africanas.
Do lado angolano, o administrador-executivo da Companhia Agrícola do Sul, João Saraiva, afirmou que a iniciativa poderá produzir impactos na segurança alimentar, na transferência de tecnologia e na formação de quadros nacionais, contribuindo para o fortalecimento da produção agrícola nos próximos anos.
Saraiva destacou igualmente a importância estratégica da cooperação para aprofundar as relações económicas entre Angola e Brasil, considerando que a experiência brasileira no desenvolvimento agrícola do Cerrado poderá oferecer soluções adaptáveis à realidade angolana.
A Companhia Agrícola do Sul é uma empresa privada angolana dedicada à produção agrícola e ao desenvolvimento do agronegócio. A sua participação no acordo enquadra-se nos esforços de modernização do sector, através da adopção de tecnologias, capacitação de recursos humanos e desenvolvimento de sistemas produtivos.
Com esta parceria, Angola procura reforçar a ligação entre investigação científica e actividade empresarial, apostando em soluções tecnológicas que contribuam para aumentar a capacidade produtiva nacional, reduzir limitações agrícolas e fortalecer a segurança alimentar.





