A necessidade de estruturar projectos tecnicamente viáveis e reduzir os riscos associados ao investimento esteve em destaque na intervenção do ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, durante uma mesa-redonda realizada a 4 de Novembro, à margem da 6.ª edição do Africa Financial Summit (AFIS 2026), em Luanda.
Na sessão, dedicada à participação das seguradoras no financiamento misto de infra-estruturas, o governante considerou que o investimento público continuará a desempenhar um papel indispensável no desenvolvimento de Angola, mas reconheceu que os recursos do Estado, por si só, não serão suficientes para responder à dimensão das necessidades do país.
“O Programa de Investimento Público integra mais de 2.500 projectos, um conjunto que, na sua avaliação, oferece oportunidades para mobilizar capital privado de longo prazo, embora nem todas as iniciativas apresentem condições para beneficiar deste tipo de financiamentoˮ, referiu Hugo Guilherme.
O ministro defendeu que a mobilização de recursos das seguradoras e dos fundos de pensões deve estar alinhada com as prioridades da Estratégia Angola 2050 e do Plano de Desenvolvimento Nacional (PND) 2023–2027, sobretudo no financiamento de projectos estruturantes para a economia nacional.
“Para facilitar a entrada dos investidores privados, já se encontra operacional o mecanismo de preparação de projectos, destinado a assegurar a realização de estudos técnicos e económicos, bem como a estruturação de iniciativas capazes de atrair financiamento, incluindo através de parcerias público-privadas (PPP)ˮ, reforçou.
Na ocasião, Victor Hugo Guilherme identificou o risco como um dos principais obstáculos à maior participação das seguradoras no financiamento de infra-estruturas. Por isso, defendeu a apresentação de projectos com viabilidade técnica e financeira comprovada, receitas credíveis e um enquadramento jurídico previsível, condições consideradas fundamentais para gerar confiança junto dos investidores institucionais.
Por sua vez, o secretário de Estado para os Sectores da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, Adilson Catala, destacou a experiência de Angola na captação de investimento privado para os sectores portuário, aeroportuário e ferroviário, com particular incidência nas concessões que contemplam compromissos de modernização e expansão das infra-estruturas.
Adilson Catala apontou igualmente a criação de fundos especializados em infra-estruturas como uma alternativa para reforçar o financiamento de novos projectos. A proposta passa pela combinação de recursos das seguradoras e de outros investidores com financiamento concessional, garantias e mecanismos de partilha de riscos.
A discussão enquadra-se nos esforços de Angola para diversificar as fontes de financiamento do desenvolvimento, ampliar a participação do sector privado e mobilizar recursos de longo prazo para infra-estruturas consideradas estratégicas para o crescimento económico.





