O Governo de Angola pondera, a qualquer momento, lançar-se aos mercados para mais uma captação de fundos para a tesouraria da administração pública do país. Essa possibilidade foi levantada pela ministra das Finanças do país, Vera Daves, para quem o governo olha essa possibilidade com “tranquilidade”.
De acordo com a governante, a ida à praça financeira internacional dependerá da evolução dos mercados, mas garante “tranquilidade” na análise da situação financeira internacional.
“Estamos a olhar para tudo com tranquilidade”, disse Vera Daves, citada pela agência de informação financeira Bloomberg, tendo acrescentado que a janela para emitir dívida pública internacional “pode aparecer a qualquer momento”.
As declarações da ministra surgem no seguimento da apresentação do plano nacional de endividamento, que prevê a emissão de dívida soberana até ao final deste mês, num valor indicativo de 2,8 mil milhões de dólares.
Angola está a ver a reacção do mercado depois de a Nigéria, o maior produtor de petróleo na África subsaariana, ter emitido 1,25 mil milhões de dólares na semana passada, tendo registado um aumento dos juros exigidos pelos investidores, de cerca de 6%, há dois anos, para 8,3%, na semana passada.
Associado a isto está a guerra na Ucrânia e o aumento das taxas de juro pela Reserva Federal, que tornaram as condições de mercado “mais difíceis”, de acordo com o diretor da Chapel Hill Denham, uma das companhias envolvidas na emissão da Nigéria, que teve o triplo de ofertas face ao valor emitido.
“Conseguir angariar capital no mercado dos títulos de dívida em moeda estrangeira durante estes tempos é louvável”, concluiu o responsável, citado pela Lusa.
De acordo com o plano de endividamento, disponível no site do Ministério angolano das Finanças, desde 8 de Fevereiro, Angola prevê captar 10,74 milhões de dólares este ano, dos quais até 2,8 mil milhões de dólares estão previstos a ser angariados nos mercados internacionais, através da emissão de dívida em moeda estrangeira (Eurobond).
Angola, que é o segundo produtor de petróleo na África subsaariana, prevê também contrair empréstimos e financiamentos internacionais de entidades comerciais, bilaterais e concessionais no valor de 2 biliões de kwanzas, equivalentes a 2,89 mil milhões de euros.
A nível interno, Angola prevê endividar-se em 4,76 mil milhões de dólares, divididos em 320 milhões de dólares em dívida contratual e 4,44 mil milhões de dólares (4,04 mil milhões de euros) em dívida titulada.





