No seguimento do processo que envolve o banqueiro e maior accionista do Banco Valor, Álvaro Sobrinho, em Portugal, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA) garantiu que o supervisor angolano está a acompanhar o processo e que, caso se justifique, o banco central deverá pronunciar-se sobre uma medida concreta, declarações que estão a dividir opiniões no circuito da elite financeira angolana.
José Massano respondia, há uma semana, às perguntas da FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, na conferência de imprensa realizada, a 31 de Março, no termo de mais uma reunião do Comité de Política Monetária (CPM).
“Em relação ao Banco Valor, nós continuamos a acompanhar [o caso de Álvaro Sobrinho] e se se justificar do lado do BNA, alguma acção concreta, ela também será tomada”, disse, lacónico, o número um da supervisão bancária angolana.
À FORBES, várias são as fontes do mercado bancário, incluindo uma de topo do próprio Banco Valor, que duvidam de uma acção concreta do regulador angolano. A fonte que falou à FORBES, sob anonimato, defende que o BNA “não vai fazer mais do que arquivar o processo”.
No grupo de fontes da FORBES há um ex-membro da equipa económica do Governo angolano, que acrescenta que a influência do também empresário “é tanta” que chega a colocar as autoridades em posição de conflito, dadas as relações deste com vários entes da elite política angolana.
Em Portugal, Álvaro Sobrinho passa por uma pesada medida de coacção que o impede de deixar o país e o limita na livre circulação no espaço europeu.
Contrariamente, em Luanda, Álvaro Sobrinho continuava, antes de estar “retido” em Lisboa, a fazer os seus negócios e a assistir, na normalidade, as reuniões da Assembleia-Geral do banco que detém e tem o filho, Gonçalo Afonso Dias Madaleno, como um dos gestores de topo.
No banco, o empresário e o seu filho são donos da maioria do capital. A FORBES sabe que Álvaro Sobrinho é dono de 57,791% das participações do Banco Valor, sendo que o filho, Gonçalo Afonso Dias Madaleno, detém 20,0%
Há ainda quem acredite que o processo pode ter implicações no processo de avaliação de risco no caso das agência de notação e por parte das entidades de combate ao branqueamento de capitais. Aliás, Angola aguarda, nos próximos tempos, a visita de uma organização para avaliação mútua, no quadro do processo de combate ao financiamento ilícito e branqueamento de capitais.





