Angola precisa criar as condições para um maior envolvimento e investimento do sector privado em energias renováveis, para que consiga alcançar as metas de electrificação total da população, defende Isabel Cancela Abreu, directora executiva da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER).
Falando à REVISTA FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, à margem da récem-realizada Conferência Internacional sobre Energia Renovável em Angola, a responsável afirmou que para se conseguir atingir as metas de electrificação total do país, que também poderá ser possível por meio das energias renováveis, uma vez que considera “não ser viável a rede eléctrica chegar a toda população”, é importante que os agentes privados façam um investimento directo.
Isabel Abreu, para quem “as energias renováveis têm um papel muito importante nas zonas rurais”, garantiu haver muitas empresas internacionais interessadas em investir no sector das energias renováveis em Angola. “Há muito mais empresas, de todas as nacionalidades, com interesse em desenvolver projectos privados de energias renováveis em Angola. E o que nós vemos é que Angola está a começar a entrar no mapa das energias renováveis”, disse.
Já Nuno Gomes, da Associação Angolana de Energias Renováveis (ASAER), defende ser fundamental, além da criação dos grandes projectos de energias renováveis, determinar “quem deve gerir estes investimentos, qual será o retorno para os investidores privados”, um processo que, como diz, deve levar em consideração questões de sustentabilidade ambiental.
Na conferência, o ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, revelou que, actualmente, o governo está a tratar do mecanismo de fixação de tarifas para as energias renováveis, “para que os produtores de energias renováveis saibam, de facto, como irão ser calculados os preços das energias que vão vender”, uma tarefa que assegura esxtar a ser concluída.
“No âmbito dos contratos de aquisição de energia aos privados, necessitamos de resolver dois problemas fundamentais: a garantia contra a inadimplência, ou seja, a garantia que permitirá ao produtor, independente da energia, estar seguro de que, não havendo pagamento das facturas mensais por parte do tomador de energia, haverá um mecanismo que compense por isso, que cubra este risco. E o outro assunto a ser resolvido, é também o risco cambial”, indicou Baptista Borges.
A garantia internacional de apoio a Angola para o desenvolvimento do sector das energias renováveis e do desenvolvimento de vários projectos foi dada pela União Europeia, que também esteve representada no certame. “A União Europeia está disponível para colaborar com Angola na sua transição para energias renováveis, e a geração de hidrogénio verde”, manifestou Jeannette Seppen, embaixadora da União Europeia em Angola.
Para a diplomata, é fundamental compreender qual é a necessidade em Angola e quais são as tecnologias de energias renováveis mais susceptíveis de desempenhar um papel importante no futuro do sector energético.
“É também fundamental detectar os potenciais obstáculos, observar o seu desenvolvimento e propor um quadro regulamentar actualizado de acções políticas, que permitem as soluções de energias renováveis penetrarem com êxito no mercado”, defende Jeannette Seppen.
Jaime Pedro





