O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tem em preparação uma carteira de projectos para o sector privado angolano avaliada em mais de mil milhões de dólares, com potencial de aprovação nos próximos dois anos, anunciou, em Luanda, o representante da instituição, Pietro Toigo.
Segundo o responsável, o reforço do financiamento ao sector privado surge no quadro da estratégia de diversificação económica de Angola, que tem vindo a abrir novas oportunidades de investimento em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país.
Pietro Toigo, que falava esta Quarta-feira, 16, em Luanda, no acto de lançamento oficial da Revisão da Eficácia do Desenvolvimento do País (CDER) – Angola 2016-2025, destacou que o BAD tem apoiado Angola em sectores como energia, agricultura, água e saneamento, governação, juventude e empreendedorismo, inovação e desenvolvimento do sector privado, considerando que estas áreas são fundamentais para a transformação económica e social.
“Actualmente, dispomos de uma carteira de projectos em preparação no sector privado superior a mil milhões de dólares, com potencial de aprovação nos próximos dois anos”, afirmou.
O representante do BAD considerou igualmente histórico o primeiro investimento da instituição no sector privado não financeiro em Angola, aprovado em Julho deste ano. Para Pietro Toigo, a operação representa um marco na relação entre o Banco e o país e demonstra uma mudança na abordagem da instituição relativamente ao financiamento da actividade empresarial em Angola.
“Queremos ir mais longe”, sublinhou, defendendo a necessidade de acelerar o investimento no sector privado angolano e ampliar o papel das empresas na diversificação da economia.
BAD reforça papel de mobilizador de capitais
Pietro Toigo explicou que a visão da nova liderança do Banco Africano de Desenvolvimento, presidido por Sidi Ould Tah, passa por afirmar a instituição como facilitadora de uma nova arquitectura financeira para África, contribuindo para uma melhor alocação de capitais em projectos de elevado impacto económico e social.
Neste sentido, o BAD pretende actuar não apenas como financiador, mas também como catalisador de parcerias e mobilizador de capitais, através da cooperação com instituições financeiras e parceiros internacionais.
Nos últimos cinco anos, segundo o representante, o Banco participou no cofinanciamento ou preparação de projectos e programas em parceria com a União Europeia, Itália, República Popular da China, Banco Europeu de Investimento, FIDA e OPEC Fund, entre outras instituições.
A cooperação tem sido igualmente reforçada nas áreas da gestão das finanças públicas e da agricultura, com o objectivo de reduzir custos administrativos, melhorar a coordenação dos programas e tornar mais eficaz o diálogo sobre políticas públicas.
Projectos problemáticos caem de 90% para zero
O representante do BAD reconheceu os esforços desenvolvidos pelo Ministério do Planeamento e pelo Ministério das Finanças para melhorar a qualidade da carteira de projectos e acelerar a execução dos programas financiados pela instituição.
De acordo com os dados apresentados, a percentagem de projectos considerados problemáticos caiu de 90% em 2017 para zero em 2024, resultado atribuído ao trabalho conjunto entre o Governo angolano e o banco.
Para Pietro Toigo, mais importante do que o volume de financiamento mobilizado ou os montantes desembolsados são os resultados concretos produzidos pelos investimentos.
Entre os impactos destacados estão o acesso de famílias à energia, água e saneamento, bolsas de estudo para raparigas vulneráveis em áreas técnicas e científicas, bem como o acesso de agricultores a novas tecnologias e mecanismos de financiamento.
BAD quer acelerar execução dos projectos
Apesar dos progressos registados, o BAD defende a necessidade de melhorar a velocidade de implementação dos projectos, reduzindo o período entre a aprovação e o primeiro desembolso.
A instituição pretende também acelerar os processos de contratação e reforçar os mecanismos de medição e comunicação dos resultados alcançados.
“Desenvolvimento atrasado pode se traduzir num desenvolvimento negado”, afirmou Pietro Toigo, ao defender maior agilidade na execução dos projectos.
O responsável sublinhou ainda que nenhuma instituição financeira, isoladamente, consegue produzir resultados transformadores num contexto económico internacional considerado cada vez mais complexo e incerto, defendendo, por isso, o aprofundamento das parcerias entre governos, instituições financeiras e sector privado.
A aposta no sector privado deverá, assim, assumir maior relevância na relação entre Angola e o BAD nos próximos anos, num contexto em que o país procura diversificar a economia, aumentar a participação das empresas nacionais e ampliar as fontes de financiamento para projectos com impacto económico e social.





