Artistas moçambicanos juntam-se em homenagem ao “rapper do povo” Azagaia

Artistas moçambicanos lançaram neste Sabado, 09, uma música de homenagem a Azagaia, considerado o "rapper do povo", que morreu há precisamente um ano, em Maputo. De acordo com a Lusa, o tema "Homenagem", lançado nas redes sociais e plataformas musicais, juntou, entre outros antigos companheiros de palco de Azagia, Iveth, Izlo H, Joe e Guto…
ebenhack/AP
Artistas moçambicanos lançaram uma música em homenagem a Azagaia, conhecido como o "rapper do povo", falecido há exatamente um ano em Maputo.
Life

Artistas moçambicanos lançaram neste Sabado, 09, uma música de homenagem a Azagaia, considerado o “rapper do povo”, que morreu há precisamente um ano, em Maputo.

De acordo com a Lusa, o tema “Homenagem”, lançado nas redes sociais e plataformas musicais, juntou, entre outros antigos companheiros de palco de Azagia, Iveth, Izlo H, Joe e Guto D` Harculete.

“Fomos todos chamados a testemunhar a significação da vida e morte de Azagaia, como alguém que abordou o coletivo, lutando por um Moçambique e África melhores”, explicou Iveth, advogada e ‘rapper’ que partilhou vários trabalhos em conjunto com o artista, e que se queixa ainda de “impedimentos de vária ordem” para o homenagear, à passagem do primeiro aniversário da morte.

“Sendo certo que a música era seu ofício, porque não o homenagear cantando hip-hop? Este tema aborda a sua vida, feitos e visão num contexto social politicamente desafiante em que liberdade de expressão é prevista normativamente, porém é cerceada com perseguição, cancelamento artístico e censura nos meios de comunicação oficiais”, criticou ainda Iveth, numa mensagem sobre o lançamento da música.

No dia 09 de Março de 2023, Azagaia (38 anos) foi encontrado morto, em sua casa, após uma crise de epilepsia, segundo a família, consternando milhares de fãs em toda a lusofonia, onde o seu nome era conhecido.

Azagaia ficou célebre pela crítica aberta à governação, de tal forma que, em 2008, na sequência de três dias de violentas manifestações que paralisaram a capital, foi chamado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após lançar o tema “Povo no Poder”, uma música gravada pouco depois dos episódios, alertando para a possibilidade de uma paralisação geral face à subida de preços de produtos básicos no país.

Mas o trabalho que deu corpo à sua carreira foi mesmo o tema “As Mentiras da Verdade”, de 2007, por muitos classificado como “manifesto crítico” à narrativa oficial da história de Moçambique, em que o músico chegou a questionar as causas da morte do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel.

Mais Artigos