A Mundial Seguros atinge lucro recorde e reforça posição entre as mais sólidas do sector

A Mundial Seguros (AMUSE) encerrou 2025 com resultados históricos, registando um lucro de 16 mil milhões de kwanzas (cerca de 17,3 milhões de dólares), um crescimento de 23% face ao período homólogo, num desempenho que consolida a sua posição entre os operadores mais sólidos do sector segurador angolano e evidencia uma crescente capacidade de geração…
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Crescimento dos resultados, reforço da solvência e entrada estratégica no resseguro marcam um ano de viragem para a seguradora angolana, que apresentou resultados históricos, com indicadores financeiros robustos e uma estratégia que aponta para maior influência no sector.
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A Mundial Seguros (AMUSE) encerrou 2025 com resultados históricos, registando um lucro de 16 mil milhões de kwanzas (cerca de 17,3 milhões de dólares), um crescimento de 23% face ao período homólogo, num desempenho que consolida a sua posição entre os operadores mais sólidos do sector segurador angolano e evidencia uma crescente capacidade de geração de valor para os accionistas.

Apresentados esta Quarta-feira, 29 de Abril, em conferência de imprensa, os resultados económico-financeiros confirmam uma trajectória consistente de crescimento, ancorada em decisões estratégicas e num modelo de negócio orientado para a sustentabilidade e rentabilidade de longo prazo. A produção seguradora acompanhou esta dinâmica, com os Prémios Brutos Emitidos a atingirem 26 mil milhões de kwanzas, um aumento de 11%, sustentado pela diversificação da oferta e pela confiança do mercado.

Do ponto de vista financeiro, os indicadores revelam um reforço expressivo da robustez da companhia. O Activo Líquido fixou-se em 70 mil milhões de kwanzas, enquanto os Capitais Próprios cresceram 73%, para 39 mil milhões de kwanzas, evidenciando um fortalecimento significativo da estrutura patrimonial. Já a Margem de Solvência atingiu 1300%, posicionando a seguradora num patamar de elevada capitalização e muito acima dos requisitos regulamentares.

A taxa de sinistralidade situou-se nos 20%, reflectindo uma gestão prudente do risco e uma carteira equilibrada, com níveis de exposição inferiores à média do mercado, um indicador que reforça a eficiência operacional e a disciplina técnica da companhia.

Durante a apresentação, o administrador-executivo, Walter Bravo, destacou igualmente o rácio de comissionamento de 10%, classificando-o como “competitivo”, face à média do sector. Segundo o responsável, este indicador reflecte o reconhecimento do papel dos mediadores na dinamização da actividade. “Cerca de 10% dos prémios arrecadados foram canalizados para os agentes de mediação, o que demonstra o nosso compromisso com este canal e com o crescimento sustentável da carteira”, afirmou.

Entre os marcos do exercício, destaca-se a distribuição de dividendos aos accionistas pela primeira vez na história da empresa, um sinal claro da maturidade financeira alcançada. Ainda que com impacto nos capitais próprios, a decisão traduz, segundo a Administração, a necessidade de assegurar a remuneração do investimento e reforçar a confiança dos accionistas. “A seguradora deve não só cumprir com os seus compromissos perante os segurados, mas também garantir retorno aos investidores”, sublinhou Walter Bravo.

Em paralelo, a participação estratégica de 14% na resseguradora Mulemba Re evidencia uma aposta no desenvolvimento estrutural do sector segurador e ressegurador em Angola, num movimento que poderá contribuir para a retenção de valor no mercado nacional e reduzir a dependência externa em matéria de resseguro.

A companhia destacou ainda o seu contributo fiscal, com o pagamento de cerca de 4,5 mil milhões de kwanzas em imposto industrial, prevendo um aumento de 24% na sua contribuição para as receitas públicas em 2026, impulsionado pelo desempenho alcançado.

Márcio Canumbila, PCE da A Mundial Seguros, falou sobres as estratégias da empresa para o ano em curso.

Para o presidente da comissão executiva, Márcio Canumbila, 2025 representa um ponto de viragem no percurso da empresa. “Atingimos resultados muito positivos, consolidámos a nossa visão e reforçámos a confiança dos clientes e accionistas”, afirmou, acrescentando que a estratégia para o ano em curso passa pelo aprofundamento da transformação digital, melhoria contínua dos produtos e investimento no capital humano. “Acreditamos que o capital humano é o nosso maior activo”, sublinhou.

Este desempenho ocorre num ano simbólico para a seguradora, que celebra o seu 20.º aniversário, num percurso iniciado em Fevereiro de 2006, altura em que se posicionava como a sexta operadora do mercado. Duas décadas depois, a trajectória evidencia um crescimento sustentado e um reposicionamento estratégico relevante no sector.

Presente na conferência, o administrador da Agência de Regulação de Seguros (ARSEG), Jesus Teixeira, destacou o desempenho da companhia como positivo para todo o ecossistema. “Quando as entidades supervisionadas apresentam bons resultados, ganham as empresas, os accionistas e os clientes; e fortalece-se o sector”, considerou, sublinhando igualmente a importância da transformação digital como um dos pilares estratégicos do regulador.

O responsável anunciou ainda a adesão iminente de Angola à “Declaração de Cape Town”, uma iniciativa internacional focada na promoção da literacia financeira, inovação e inclusão, com destaque para o desenvolvimento do micro-seguro como instrumento de expansão do acesso aos serviços.

Num contexto de crescente sofisticação do mercado, o regulador reforçou o papel do sector segurador na economia. “Se outros sectores financiam a criação de riqueza, os seguros têm a missão de a proteger; e essa função é tão estratégica quanto a própria geração de valor”, concluiu.

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