Académico angolano lança em Luanda “A Manga das 16 que Mudou o Meu Rumo”

O académico angolano, José Lopes Semedo, vai lançar, em Luanda, a sua obra literária, intitulada “A Manga das 16 que Mudou o Meu Rumo”. Trata-se de um livro de 215 páginas com uma produção independente, cujo seu lançamento está marcado para o dia 12 de Junho, no anfiteatro da Universidade Gregório Semedo. “Modéstia à parte,…
ebenhack/AP
Trata-se de um livro de 215 páginas com uma produção independente, cujo seu lançamento está marcado para o dia 12 de Junho, no anfiteatro da Universidade Gregório Semedo.
Life

O académico angolano, José Lopes Semedo, vai lançar, em Luanda, a sua obra literária, intitulada “A Manga das 16 que Mudou o Meu Rumo”.

Trata-se de um livro de 215 páginas com uma produção independente, cujo seu lançamento está marcado para o dia 12 de Junho, no anfiteatro da Universidade Gregório Semedo.

“Modéstia à parte, pensei que ao longo da vida, fui acumulando vivências e adoptando decisões em contextos muito difíceis que mereciam ser registadas e, sobretudo, partilhadas, não por vaidade, mas pelo valor humano, social, académico e pedagógico que podem oferecer. Este livro nasce da necessidade de testemunhar que a caminhada de um ser humano é feita de luta, propósito, fé e superação”, assegurou.

Partindo de um episódio simbólico da sua juventude — a célebre “manga das 16”, José Semedo conduz um percurso de vida marcado por desafios, sacrifícios e conquistas, revelando, com lucidez e autenticidade, que não é a origem que determina o destino, mas as escolhas que temos a coragem de fazer, numa conclusão lapidar segundo a qual, entre o ponto de partida e o ponto de chegada há sempre uma decisão e é ela que faz toda a diferença.

“Decidi escrever esta obra porque senti, através dos permanentes pedidos – e exigências, às vezes – que me faziam em sucessivas ocasiões, que a vida da minha história regista exemplos de desafios, experiências e aprendizagens que, tendo moldado o meu carácter e a minha identidade, poderiam ajudar outros no seu percurso de vida”, explicou o empresário, em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA

Com uma linguagem simples, envolvente, coerente, reflexiva e simultaneamente inspiradora e mobilizadora, o autor interpela os jovens, particularmente os mais desfavorecidos, convidando-os a assumir, através do estudo e do conhecimento, o controlo das suas vidas, a recusar a resignação e a acreditar que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, é possível construir um futuro digno, sólido e promissor.

“Pretendo transmitir uma mensagem de esperança, perseverança e sentido de missão. Quero mostrar que a vida é construída por princípios, sonhos, decisões e capacidade de enfrentar com coragem as consequências das nossas escolhas, enfrentando as adversidades sem perder a dignidade. A obra procura igualmente partilhar a importância do conhecimento como elemento fundamental na libertação do homem, dos valores como disciplina, trabalho, compromisso, responsabilidade, honradez, dignidade e do amor à família enquanto porto seguro quando o sucesso sofre o revés e o chão parece abrir-se sob nossos pés”, detalhou.

“Há momentos na vida em que tudo parece já traçado — como se o destino estivesse escrito antes mesmo de termos a oportunidade de o compreender. Mas há também momentos raros, silenciosos e imperceptíveis, mas decisivos, em que uma escolha, aparentemente simples, altera profundamente o rumo de uma vida inteira”, disse.

José Semedo explica que o livro não conta apenas uma história de vida, pois revela decisões marcantes que a transformaram — e convida à reflexão, mostrando, pela experiência vivida, que, em última instância, o destino não se herda: constrói-se, passo a passo, na lucidez das escolhas, na coragem de decidir e na persistência coerente de agir.

Nunca houve espaço para desistir dos sonhos

Segundo o advogado e deputado à Assembleia Nacional, sonhar é uma das expressões mais nobres da condição humana.

“A mente e a ambição humanas são, de certo modo, infinitas: projectamos horizontes, idealizamos futuros, construímos imagens do que desejamos ser e alcançar. Sonhar, por isso, nunca foi crime nem pecado; pelo contrário, é um acto de esperança, de fé e de liberdade interior. Contudo, a vida ensinou-me que nem todos os sonhos são realizáveis tal como os imaginámos”, considerou.

Sustentou que há sonhos que nascem numa determinada etapa da existência e cumprem a sua função precisamente nesse tempo, referindo que alguns acompanham até à concretização; outros apenas educam durante o percurso.

“Existem sonhos que precisam de ser reinventados, redimensionados ou compreendidos à luz de novas circunstâncias. E há outros que, com maturidade e serenidade, precisam mesmo de ser deixados para trás. Mas é importante dizer: abandonar um sonho nem sempre significa desistir da vida. Muitas vezes, é exactamente o contrário. É um acto de lucidez, de crescimento e de fidelidade à nossa verdade interior. O verdadeiro fracasso não está em reconhecer que um sonho terminou; o verdadeiro fracasso estaria em permanecer prisioneiro de uma imagem antiga de nós mesmos, recusando a transformação que a vida exige”, acrescentou.

Foi assim que compreendeu que a vida não se mede apenas pelo número de sonhos concretizados, mas pela capacidade de discernir o que permanece essencial.

“Porque, muitas vezes, aquilo que parecia perda revela-se transformação; aquilo que parecia fim torna-se recomeço; e aquilo que julgávamos ter perdido era apenas a vida a conduzir-nos, silenciosamente, através da aprendizagem e do amadurecimento interior, para uma compreensão maior de nós mesmos. Hoje, olho para o meu percurso com a convicção de que cada sonho, realizado ou não, teve uma missão. Uns deram-me conquistas; outros deram-me sabedoria. E talvez essa seja a maior lição: a vida não nos pede que realizemos tudo o que sonhamos, mas que descubramos, com coragem e humildade, aquilo que verdadeiramente fomos chamados a viver e a fazer”, precisou.

O impacto do Direito formação humana, intelectual e profissional

O Direito teve um impacto profundo na formação humana, intelectual e profissional de José Lopes Semedo. Mais do que uma área do saber, representou uma escola de pensamento, justiça e responsabilidade social.

O Direito ensinou-lhe a interpretar a realidade com rigor, a valorizar a justiça e a equidade, bem como a compreender o papel das instituições na construção de uma sociedade mais equilibrada.

“Ele moldou a minha forma de pensar, agir e servir. Apesar, note-se, de ter entrado na vida da minha história por mero acaso, conferindo assertividade e valia à minha tese: na vida nem sempre fazemos o que gostaríamos de fazer, mas devemos gostar do que fazemos.  Os valores, a disciplina e a consciência moral tiveram um papel absolutamente decisivo na minha vida. Houve momentos em que as circunstâncias poderiam facilmente ter-me conduzido por caminhos mais simples, mais rápidos e mais promissores, porém, moralmente questionáveis”, realçou.

Semedo diz que aprendeu muito cedo que o verdadeiro crescimento não depende apenas das conquistas exteriores, mas da integridade com que escolhemos viver.

“A disciplina ensinou-me a persistir quando os resultados ainda não eram visíveis. Os valores ajudaram-me a distinguir o essencial do supérfluo. E a consciência moral tornou-se uma espécie de bússola interior, sobretudo nos momentos de maior dificuldade e incerteza, conferindo mais valor à essência do que à aparência. Hoje compreende que o carácter não se constrói nos momentos de conforto, mas nas decisões silenciosas que tomamos quando ninguém está a observar. E talvez uma das mais fortes lições da vida seja esta: o sucesso pode abrir portas, mas são os valores e princípios que sustentam a dignidade, a verdade e a sustentabilidade da nossa existência”, descreveu.

Conhecido como defensor e promotor de valores morais, éticos, cívicos, humanísticos e de cidadania, José Lopes Semedo é um advogado angolano e empresário que aposta forte no sector da educação, onde é detentor de uma universidade em Angola.

Filho de pais cabo-verdianos, José Lopes Semedo nasceu há 71 anos no município do Dande, província do Bengo, em Angola, no seio de uma família “muito pobre”, mas evoluiu graças à coragem e ao esforço individual que fez para estudar e trabalhar.

É, desde os 11 anos, um empreendedor e batalhador nato, com capacidade de identificar e capitalizar oportunidades. Além disso, é também um filantropo, cujas visão e perspicácia, combinadas com o seu espírito altruísta que o leva a ajudar os menos afortunados, o colocam entre os empresários mais respeitados e bem-sucedidos nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP).

Um dos primeiros juristas formados em Angola, o empresário participou no processo de negociação da paz para o país. Desempenhou a função de director de contratos de várias empresas públicas, fez parte do grupo que fundou os órgãos de justiça das Forças Armadas Angolanas (FAA), nomeadamente a Procuradoria-Geral das FAA e o Tribunal Militar, até que, em 1998, resolveu investir no sector da educação, começando com a criação do Colégio Gregório Semedo (CGS), uma instituição pré-escolar, primária e secundária, para dar sequência ao legado do seu pai, que era professor.

José Semedo também foi coordenador dos grupos de trabalho para a elaboração das Leis sobre o Sistema Unificado de Justiça da República de Angola (SUJ – Justiça Comum e Justiça Militar) e coordenador adjunto do grupo de juristas para a análise das questões jurídicas do SEF (Programa de Saneamento Económico e Financeiro de Angola).

Actualmente, desempenha a função de magno chanceler da Universidade Gregório Semedo, tendo como foco maior “manter a unidade, a coesão e a cooperação entre as instituições de educação” e, mais do que isso, “preservar os valores, princípios e regras de ordem moral, ética, cívica e humanista”.

Mais Artigos