África subsaariana volta aos mercados financeiros dois anos depois

A agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) assinala num comentário à emissão de dívida feita pela Costa do Marfim na semana passada, com uma taxa de juro a rondar os 8% por ano, que este acção, primeira na região após dois anos, "pode abrir caminho para outras emissões de Eurobonds na região". Apesar…
ebenhack/AP
Agência norte-americana considera que o retorno da Costa do Marfim aos mercados, com a emissão de dívida, na semana passada, pode ser um precedente para outras emissões de Eurobonds na região.
Economia

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) assinala num comentário à emissão de dívida feita pela Costa do Marfim na semana passada, com uma taxa de juro a rondar os 8% por ano, que este acção, primeira na região após dois anos, “pode abrir caminho para outras emissões de Eurobonds na região”.

Apesar das condições desafiadoras de financiamento, diz a S&P, a emissão de 2,6 mil milhões de dólares registou uma procura recorde, ultrapassando os 8,0 mil milhões de dólares, indicando um interesse contínuo dos investidores pela dívida do país.

De acordo com a Lusa, a agência, com sede em Nova Iorque (EUA) destaca que, embora a emissão da Costa do Marfim tenha ocorrido a preços mais elevados, com uma taxa de juro em torno de 8% ao ano, este retorno aos mercados pode ser um precedente para outras emissões de Eurobonds na região. Sublinha ainda que as condições podem variar entre os países, com os investidores a diferenciar com base no desempenho económico, perspectivas de evolução, consolidação orçamental e implementação de reformas económicas.

A Costa do Marfim, um dos mercados financeiros mais avançados da África subsaariana, dividiu a emissão em duas tranches, destinando os fundos para projectos sustentáveis, incluindo infraestruturas, emprego e energias renováveis. O sucesso desta emissão sugere uma possível mudança nas perspectivas de acesso dos países africanos aos mercados financeiros internacionais, historicamente desafiadas por elevadas taxas de juro.

Mais Artigos