A Guiné-Bissau pretende reforçar a captação de investimento privado nos sectores da agro-indústria, economia azul, turismo e economia digital, no âmbito da estratégia de diversificação da economia nacional. A orientação foi apresentada pelo ministro da Economia, Plano e Integração Regional, Mamadú Mudjetaba Djaló, durante o Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, que decorre na Ilha do Sal, em Cabo Verde.
No domínio da agro-indústria, o governante destacou a necessidade de aumentar o valor acrescentado nacional através da transformação dos produtos agrícolas, com particular atenção à castanha de caju, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas sem processamento industrial.
Na economia azul, o ministro identificou oportunidades de investimento na pesca, no processamento de pescado e na aquicultura, bem como na implementação de sistemas modernos de conservação, certificação e controlo, com vista a melhorar a competitividade dos produtos nacionais.
O turismo foi igualmente apontado como um sector com potencial para atrair capital privado, sobretudo no arquipélago dos Bijagós, cuja biodiversidade constitui um activo para o desenvolvimento do ecoturismo, da hotelaria e de serviços associados. Segundo a visão apresentada pelo governante, a exploração sustentável dos recursos naturais poderá contribuir para a criação de receitas e a diversificação das fontes de crescimento económico.
Na economia digital, o Executivo guineense pretende acelerar a expansão da fibra óptica, desenvolver serviços digitais, modernizar os sistemas de pagamentos electrónicos e promover a transformação digital da Administração Pública.
Reformas económicas e parcerias público-privadas
Para criar condições favoráveis à entrada de novos investidores, Mamadú Mudjetaba Djaló destacou a melhoria contínua do ambiente de negócios, o reforço do quadro jurídico e institucional do investimento, a transparência dos procedimentos administrativos e uma participação mais activa do sector privado.
Energia, infra-estruturas, turismo, transportes, saúde e educação figuram entre os sectores prioritários para a mobilização de capital. As oportunidades poderão ser concretizadas através de investimento privado directo ou de parcerias público-privadas, permitindo combinar recursos financeiros, tecnologia e conhecimento especializado.
“O investimento privado não é um complemento da nossa estratégia de desenvolvimento. É um dos pilares fundamentais”, afirmou o ministro, defendendo a atracção de parceiros capazes de disponibilizar financiamento, tecnologia, conhecimento e inovação, em conformidade com padrões ambientais, sociais e de governação.
Na perspectiva do governante, a transformação económica da Guiné-Bissau não poderá depender exclusivamente do investimento público. Será necessário aprofundar a colaboração entre o Estado, os investidores privados e os parceiros de desenvolvimento, de modo a mobilizar os recursos necessários à execução dos projectos estruturantes.
Transformação produtiva como prioridade
A estratégia apresentada passa por transformar a castanha de caju em produtos de maior valor acrescentado, desenvolver a indústria pesqueira, aproveitar o potencial solar para a produção de energia e converter a biodiversidade nacional numa fonte de receitas através do turismo sustentável.
A aposta nestas áreas visa ampliar a capacidade produtiva do país, criar novas oportunidades de negócio e reduzir a dependência de actividades económicas concentradas na exportação de matérias-primas.
Ao concluir a intervenção no Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, Mamadú Mudjetaba Djaló reiterou o compromisso do Governo em promover as oportunidades de investimento existentes na Guiné-Bissau e atrair mais capital privado, com o objectivo de construir uma economia mais aberta, diversificada e competitiva.





