Mais de 80% dos produtos actualmente distribuídos pela AngoAlissar são fabricados em Angola, um marco que reflecte a profunda transformação do modelo de negócio de uma das maiores distribuidoras de bens de consumo do país. A empresa definiu agora um objectivo mais ambicioso: assegurar que a totalidade do seu portefólio seja de origem nacional até 2029.
A estratégia, soube a FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, insere-se num movimento de substituição progressiva de importações e de fortalecimento da cadeia de valor local, através do desenvolvimento de fornecedores nacionais, do estabelecimento de parcerias com agricultores angolanos e do reforço da integração vertical entre produção e distribuição.
A mudança representa uma inversão significativa face ao posicionamento original da empresa. Durante anos, a actividade da AngoAlissar assentou maioritariamente na comercialização de produtos importados. Hoje, categorias como farinha de trigo, farinha de milho, óleo alimentar, massas, lacticínios, feijão, detergentes, sabões e produtos de confeitaria são produzidas ou transformadas em território nacional.
Segundo Bravo Fadel, director-geral da AngoAlissar, citado numa nota de imprensa, a aposta na produção local oferece vantagens operacionais e financeiras relevantes. “Produzimos as nossas marcas localmente. Compramos em kwanzas e vendemos em kwanzas, com uma rotação mais rápida”, afirmou.
Além de reduzir a exposição cambial, o modelo permite encurtar prazos de fornecimento, melhorar a gestão de stocks e aprofundar as relações com produtores nacionais, factores que reforçam a competitividade da empresa num mercado cada vez mais orientado para a valorização da produção interna.
Marcas como “Primavera”, “Biba” e “Patriota”, amplamente reconhecidas pelos consumidores angolanos, são actualmente produzidas integralmente no país. A AngoAlissar assegura não apenas a sua distribuição, mas também a sua disponibilidade regular em todo o território nacional, através de uma rede logística própria e de uma estratégia focada na acessibilidade dos preços.
Fornecedores nacionais no centro da estratégia
A política de compras da empresa atribui prioridade absoluta aos fornecedores angolanos. Para operacionalizar esse compromisso, a AngoAlissar, indica a nota, dispõe de uma divisão dedicada exclusivamente às aquisições locais.
Mais de metade dessas compras tem origem nas próprias unidades industriais do grupo, uma abordagem que reforça a integração vertical do negócio e cria maior alinhamento entre os investimentos na produção e a capacidade de distribuição.
No segmento do arroz, por exemplo, o “Arroz Patriota Nossa Quinta” utiliza exclusivamente matéria-prima adquirida a produtores nacionais. Já no sector açucareiro, a empresa actua como principal parceira de distribuição da Biocom, único produtor de açúcar em Angola, fornecendo igualmente fertilizantes para os campos de cultivo da companhia.
Esta presença em diferentes etapas da cadeia produtiva evidencia uma estratégia que vai além da simples comercialização, procurando influenciar e fortalecer a produção nacional desde a origem.
Impacto económico e diversificação
A aposta da AngoAlissar na produção local surge num contexto em que Angola procura reduzir a dependência das importações e acelerar a diversificação da economia. Ao privilegiar fornecedores nacionais, a empresa contribui para a criação de emprego industrial, gera maior previsibilidade para os agricultores parceiros e ajuda a reter no mercado interno recursos financeiros que anteriormente eram canalizados para a aquisição de bens no exterior.
O objectivo de alcançar um portefólio integralmente nacional até 2029 faz parte de um roteiro que prevê o desenvolvimento contínuo de fornecedores, a expansão das parcerias agrícolas e o aprofundamento da política de compras locais, em linha com as prioridades definidas pelo Executivo para o fortalecimento da produção nacional e da segurança alimentar.
Fundada em 1992, a AngoAlissar é actualmente uma das principais empresas de distribuição de Angola, operando uma rede comercial de âmbito nacional que abrange bens de consumo, produtos agro-industriais e outros bens essenciais. Ao longo de mais de três décadas de actividade, consolidou-se como um dos principais canais de escoamento para marcas nacionais e internacionais presentes no mercado angolano.





