Angola aposta em hub AgriTech com investimento de 5 milhões de dólares

Angola deu mais um passo na estratégia de diversificação económica ao formalizar, esta semana, a criação do Centro de Excelência AgriTech Timbuktoo Angola, uma infra-estrutura orientada para a inovação agrícola, empreendedorismo jovem e integração nas cadeias de valor regionais, com um investimento global estimado em 5 milhões de dólares. Neste sentido, um acordo foi assinado…
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País torna-se o 11.º Estado africano a integrar a plataforma timbuktoo, assumindo a liderança no segmento AgriTech e destacando-se como o único país lusófono entre economias como África do Sul, Nigéria, Quénia e Egipto.
Economia

Angola deu mais um passo na estratégia de diversificação económica ao formalizar, esta semana, a criação do Centro de Excelência AgriTech Timbuktoo Angola, uma infra-estrutura orientada para a inovação agrícola, empreendedorismo jovem e integração nas cadeias de valor regionais, com um investimento global estimado em 5 milhões de dólares.

Neste sentido, um acordo foi assinado entre o governo angolano e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), posicionando o país como um dos pólos emergentes da iniciativa pan-africana timbuktoo, uma plataforma que aposta na mobilização de capital, tecnologia e talento para acelerar o crescimento de startups no continente.

A cerimónia decorreu em Talatona, Luanda, e reuniu representantes do Governo, sector privado, academia e ecossistema empreendedor, reflectindo o carácter multissectorial do projecto, que será implementado na província do Huambo.

Concebido como um hub regional de agricultura tecnológica, o Centro de Excelência ambiciona afirmar-se como referência pan-africana em agricultura sustentável, tecnologias verdes e empreendedorismo rural, num contexto em que Angola procura transformar o seu potencial agrícola em ganhos efectivos de produtividade e competitividade.

Do ponto de vista estratégico, a localização do projecto – próxima do Corredor do Lobito – reforça o seu papel na integração logística e comercial, potenciando o acesso a mercados regionais e internacionais, sobretudo no quadro da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).

Coordenado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, e co-coordenado pelo Ministério da Agricultura e Florestas, o projecto será implementado pelo PNUD, com apoio do Ministério da Indústria e Comércio, num modelo que privilegia a articulação institucional e o envolvimento do sector privado.

Durante a assinatura, o ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Ferreira, e a representante residente do PNUD em Angola, Denise António, formalizaram o compromisso conjunto, com esta última a sublinhar que “o investimento na inovação e na juventude representa um passo decisivo para transformar potencial em resultados concretos”.

Mais do que uma infra-estrutura física, o centro deverá funcionar como catalisador de um ecossistema moderno de inovação agrícola, promovendo a adopção de ferramentas digitais, o desenvolvimento de startups e o reforço das pequenas e médias empresas com potencial de investimento.

O financiamento do projecto será assegurado em 3,5 milhões de dólares pelo governo angolano e em 1,5 milhões pelo PNUD, reflectindo uma aposta conjunta na criação de soluções escaláveis para o sector agrícola, historicamente subaproveitado apesar das suas vantagens comparativas.

Inserido na iniciativa timbuktoo – uma plataforma que combina hubs temáticos, capital de risco e mecanismos de blended finance – Angola torna-se o 11.º país africano a integrar esta rede, assumindo a liderança no segmento AgriTech e destacando-se como o único país lusófono entre economias como África do Sul, Nigéria, Quénia e Egipto.

Num momento em que o país procura reduzir a dependência do petróleo, o projecto surge como uma peça-chave na agenda de diversificação, com potencial para gerar emprego qualificado, aumentar a produtividade agrícola e posicionar Angola como actor relevante no ecossistema africano de inovação.

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