Angola apresenta reformas e oportunidades de investimento em Londres

Angola apresentou, em Londres, os avanços registados nas reformas económicas e financeiras e as oportunidades de investimento disponíveis no país, durante a realização, pela primeira vez, do Angola Day na London Stock Exchange, iniciativa que marcou o primeiro dia do Fórum de Investimento Angola–Reino Unido. A delegação angolana foi chefiada pela ministra das Finanças, Vera…
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A delegação angolana foi chefiada pela ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, que, durante a cerimónia de abertura do mercado da London Stock Exchange, colocou a previsibilidade no centro da mensagem dirigida aos investidores, destacando as reformas implementadas nos últimos anos para reforçar a estabilidade macroeconómica.
Economia

Angola apresentou, em Londres, os avanços registados nas reformas económicas e financeiras e as oportunidades de investimento disponíveis no país, durante a realização, pela primeira vez, do Angola Day na London Stock Exchange, iniciativa que marcou o primeiro dia do Fórum de Investimento Angola–Reino Unido.

A delegação angolana foi chefiada pela ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, que, durante a cerimónia de abertura do mercado da London Stock Exchange, colocou a previsibilidade no centro da mensagem dirigida aos investidores, destacando as reformas implementadas nos últimos anos para reforçar a estabilidade macroeconómica e melhorar a confiança no ambiente de negócios.

Entre os resultados apresentados pela governante esteve o crescimento de 8,7% da economia no segundo trimestre de 2026, impulsionado pela expansão de 9,2% do sector não petrolífero. A ministra destacou igualmente a redução da inflação para um nível de um dígito e a trajectória descendente da dívida pública, que passou de 97,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2020, para 47%, em 2025, situando-se dentro do limite estabelecido pela legislação nacional.

No domínio do financiamento, Vera Daves de Sousa informou que Angola mobilizou 4 mil milhões de dólares em 2026, numa operação que registou uma procura de 5,2 mil milhões de dólares para uma emissão de 2,5 mil milhões de dólares. O país realizou também operações de recompra antecipada de parte das obrigações com vencimento em 2028 e 2029.

“O risco angolano volta a ser avaliado pelos seus fundamentos, com tendência a melhorar”, afirmou a ministra.

Investimento privado e privatizações

Perante investidores, instituições financeiras e empresas britânicas, a ministra apresentou três eixos considerados fundamentais para a atracção de capital: investimento privado, privatizações e diversificação económica.

Sobre o regime de investimento privado, Vera Daves de Sousa destacou a eliminação da exigência de capital mínimo, o tratamento nacional concedido ao investidor estrangeiro, a livre repatriação de dividendos e o papel da AIPEX como janela única para o investidor, desde o registo até à concessão de benefícios fiscais.

Relativamente ao PROPRIV, a governante informou que 121 dos 130 activos previstos já foram privatizados. Desde 2019, o programa terá contratado uma receita de 1,75 mil milhões de dólares, sendo que cerca de 42% dos activos foram adquiridos por investidores estrangeiros.

Diversificação económica e Corredor do Lobito

A diversificação da economia foi igualmente apresentada como uma das prioridades do Executivo, com oportunidades identificadas nos sectores da logística, indústria transformadora, energia e telecomunicações.

Neste contexto, Vera Daves de Sousa destacou o Corredor do Lobito como uma plataforma estratégica para estabelecer ligações entre a África Austral e Central e os mercados internacionais.

A ministra referiu-se ainda à evolução do mercado de capitais angolano, salientando que a capitalização da BODIVA atingiu 6,9 mil milhões de dólares em Julho de 2026, o que representa um crescimento de quase 200% num ano. O mercado, acrescentou, encontra-se igualmente aberto à participação de investidores institucionais estrangeiros.

Dívida e mercado de capitais em debate

No âmbito do programa, Vera Daves de Sousa participou num Fireside Chat, moderado pelo presidente da Comissão Executiva do Standard Bank Angola, Luís Teles, onde foram abordados temas relacionados com a evolução macroeconómica, as reformas em curso, o PROPRIV, a dívida soberana, o mercado de capitais e as perspectivas de novas parcerias financeiras.

A agenda incluiu ainda um painel dedicado aos Mercados de Dívida e Financiamento para o Desenvolvimento Económico, que analisou a estratégia de gestão da dívida pública, a diversificação das fontes de financiamento, a experiência de Angola nos mercados de Eurobonds e a utilização de instrumentos financeiros estruturados e soluções de cobertura de risco.

Outro painel centrou-se nas Privatizações, IPOs (Ofertas Públicas Iniciais) e Desenvolvimento do Mercado de Capitais, com destaque para a carteira do PROPRIV, o calendário de privatizações, as possibilidades de listagem em Londres e as reformas destinadas a aprofundar e modernizar o mercado de capitais angolano.

No encerramento da intervenção, a ministra das Finanças reforçou a complementaridade entre Angola e o Reino Unido e defendeu o aprofundamento das relações económicas e financeiras entre os dois países.

“O Reino Unido tem capital paciente, engenharia financeira, serviços profissionais e tecnologia. Angola tem recursos, escala e posição, e um Estado que decidiu, de forma irreversível, que o motor do crescimento é o sector privado”, afirmou.

A realização do primeiro Angola Day na London Stock Exchange representa, assim, um marco na aproximação de Angola à comunidade financeira londrina e enquadra-se na estratégia do país de diversificar as fontes de financiamento, desenvolver o mercado de capitais e mobilizar investimento privado para o crescimento sustentável da economia.

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