A integração da moeda angolana kwanza como moeda de liquidação no Sistema de Liquidação a Bruto em Tempo Real da SADC (SADC-RTGS) não representa uma ameaça às reservas internacionais, garantiu esta Sexta-feira, em Luanda, a directora do Departamento do Sistema de Pagamentos do Banco Nacional de Angola (BNA).
Cristina Caniço, que falava em conferência de imprensa, disse que ao aumentar a procura regional pela moeda nacional e reduzir a dependência de moedas intermediárias, a integração poderá contribuir para uma utilização mais eficiente para o reforço das reservas em divisas.
“Não deslumbramos grandes impactos a nível das reservas internacionais. Continuamos a ter as mesmas operações que são feitas hoje a nível do SADC-RTGSˮ, referiu a responsável.
A única diferença, segundo explicou, é que será feita em kwanza e não em rands ou numa outra moeda fora dos países participantes na comunidade.
Recorde-se que a formalização foi feita nesta Segunda-feira pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, e o seu homólogo do Banco de Reserva da África do Sul e presidente do CCBG, Lesetja Kganyago.
O kwanza torna-se assim a segunda moeda de liquidação admitida no SADC-RTGS que, desde a sua criação em 2013, operava exclusivamente com o Rand sul-africano. Actualmente, o sistema conta com a participação de 15 países da região.
Nesta fase inicial, cinco bancos comerciais angolanos foram autorizados a operar na plataforma regional, nomeadamente o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco Internacional de Crédito (BIC), o Banco de Negócios Internacional (BNI), o Banco de Crédito Sul (BCS) e o Banco Yetu.
Ao permitir a liquidação directa em kwanzas, as instituições financeiras e empresas evitam a necessidade de conversões cambiais por meio de moedas estrangeiras externas ao sistema, diminuindo significativamente os custos repassados aos clientes.
O plano estratégico da organização prevê a inclusão oportuna de outras divisas regionais, estando o Pula, do Botswana, em fase avançada de integração.
O Banco Central sublinha ainda que a diversificação facilita as trocas comerciais directas entre empresas e clientes, optimizando a gestão de fluxos de caixa e garantindo maior agilidade no acesso a recursos na região.





