Angola e Botswana reforçaram esta Terça-feira, 8, em Luanda, a cooperação bilateral com a assinatura de três instrumentos jurídicos destinados a ampliar as relações económicas e sectoriais, com destaque para os petróleos, energia, pecuária e turismo de conservação.
Os instrumentos compreendem dois acordos de cooperação – um no domínio da Defesa e outro relativo ao estabelecimento de uma Comissão Binacional – e um Memorando de Entendimento no domínio da Pecuária.
A assinatura ds documentos foram testemunhados pelos Presidentes de Angola, João Lourenço, e do Botswana, Duma Gideon Boko, que se encontra em visita de Estado de três dias a Angola.
Na área da pecuária, Angola pretende beneficiar da experiência do Botswana, reconhecido pela capacidade de produção e exportação de carne bovina, numa altura em que o país procura aumentar a produção nacional e reduzir as limitações ao desenvolvimento do sector.
João Lourenço defendeu que a cooperação deve passar também pelo melhoramento genético do efectivo bovino, através da produção local de sémen e embriões.
“Nós temos potencial para sermos grandes produtores de carne bovina, mas a forma mais segura e rápida de multiplicar e melhorar a qualidade da raça é, sem sombra de dúvidas, produzir localmente quer o sémen, quer embriões”, sustentou.
A parceria estende-se igualmente ao turismo de conservação, com Angola a procurar aproveitar a experiência do Botswana na gestão e valorização de áreas naturais. Segundo o Presidente angolano, o país pretende trabalhar com o Botswana no âmbito do projecto transnacional KAZA, que junta países da região em iniciativas de conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável do turismo.
Angola pretende, em particular, beneficiar da experiência botswanesa para desenvolver o turismo de conservação nos parques nacionais do Luengue-Luiana, localizados nas províncias do Cubango e do Cuando.
“Começaram já a ser instalados alguns acampamentos para, de facto, começarmos a fazer turismo naquela zona. Precisamos então de beneficiar da expertise que o Botswana tem neste domínio”, afirmou João Lourenço.
A aproximação entre os dois países ocorre num contexto em que Angola procura diversificar as fontes de crescimento económico e explorar activos naturais e produtivos para além da sua tradicional dependência do petróleo. A cooperação com o Botswana poderá, nesse sentido, permitir acelerar sectores como a pecuária e o turismo, através da transferência de conhecimento e de modelos de exploração já testados na região.
Boko confiante no aprofundamento da cooperação
Por sua vez, Duma Boko manifestou confiança no aprofundamento das relações entre os dois países, destacando a convergência de interesses em diferentes áreas e defendendo que a parceria bilateral deve produzir efeitos para além das fronteiras dos dois Estados.
“Acreditamos que a relação entre Angola e o Botswana vai continuar a crescer, aprofundar-se e apoiar o crescimento e a transformação a nível do continente”, afirmou, apontando para a criação de corredores de circulação de bens e pessoas e para esforços conjuntos destinados a promover a paz e a estabilidade em África.
O Presidente do Botswana defendeu igualmente uma maior facilitação da circulação de pessoas entre os países africanos, considerando a mobilidade um factor relevante para o crescimento económico e a prosperidade.
Na sua perspectiva, os Estados devem criar condições que facilitem, e não dificultem, a circulação de pessoas que participam nas actividades económicas e contribuem para o desenvolvimento dos países.
“A maior questão para todas as nossas economias é criar circunstâncias conducentes ao crescimento e à prosperidade, para o melhor do povo de cada país”, sublinhou.
A nova Comissão Binacional deverá constituir, neste quadro, um dos mecanismos para acompanhar e aprofundar a cooperação entre Angola e Botswana, enquanto os entendimentos sectoriais poderão abrir espaço a novos projectos de investimento e transferência de conhecimento em áreas consideradas estratégicas para as duas economias.





