“Recursos africanos não criam prosperidade sem investimento e financiamento”, Ghezali

O futuro energético de África dependerá menos da dimensão das suas reservas de petróleo e gás e mais da capacidade de transformar esses recursos em projectos financiáveis, infra-estruturas, indústria e empregos, defendeu esta Quarta-feira, 9, em Luanda, o secretário-geral da Organização Africana de Produtores de Petróleo (APPO), Farid Ghezali. Ao discursar na abertura da conferência…
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África dispõe de petróleo, gás e uma procura energética crescente, mas enfrenta o desafio de mobilizar capital para transformar esses recursos em desenvolvimento económico, alertou em Luanda o secretário-geral da Organização Africana de Produtores de Petróleo, Farid Ghezali.
Economia

O futuro energético de África dependerá menos da dimensão das suas reservas de petróleo e gás e mais da capacidade de transformar esses recursos em projectos financiáveis, infra-estruturas, indústria e empregos, defendeu esta Quarta-feira, 9, em Luanda, o secretário-geral da Organização Africana de Produtores de Petróleo (APPO), Farid Ghezali.

Ao discursar na abertura da conferência Angola Oil & Gas 2026, o responsável sublinhou que o continente dispõe de recursos, mercados e oportunidades, mas precisa de reforçar a capacidade de converter essa riqueza natural em valor económico e desenvolvimento para as populações.

“África oferece recursos, oferece mercados, oferece oportunidades e convida a parcerias. Invista com África, construa com África e cresça com África”, afirmou Ghezali, advogando uma maior participação de investidores e parceiros internacionais no desenvolvimento do sector energético africano.

Para o secretário-geral da APPO, o desempenho do sector não deve ser avaliado apenas pelo volume de petróleo produzido ou exportado, mas também pela electricidade gerada, pelos empregos criados e pelo valor retido nas economias africanas.

“África não está sem recursos. Temos petróleo, temos gás e temos uma forte procura. Mas os recursos, por si só, não criam prosperidade. O que importa é a capacidade de transformar esses recursos em valor económico real”, salientou.

Essa transformação, acrescentou, passa pelo desenvolvimento responsável do petróleo e do gás, pelo investimento em infra-estruturas, refinação e aproveitamento do gás, pelo fortalecimento das indústrias locais e pela criação de cadeias de valor capazes de gerar empregos, salários e receitas públicas.

Ghezali colocou, neste contexto, o financiamento no centro do desafio energético africano. Segundo o responsável, embora muitos projectos no continente sejam economicamente viáveis, continuam a enfrentar dificuldades para alcançar o fecho financeiro devido ao custo do capital, à percepção de risco e aos constrangimentos nas cadeias de abastecimento.

“É por isso que África deve fortalecer a sua capacidade financeira”, defendeu, apontando para o papel que instituições como a Banca Africana de Energia podem desempenhar na mobilização de capital africano, no apoio a projectos estratégicos e na atracção de investimento adicional.

A escolha de Luanda para a discussão, afirmou, é particularmente adequada, tendo em conta que as prioridades em debate na Angola Oil & Gas 2026 – investimento, desenvolvimento do gás, refinação, conteúdo local, financiamento e infra-estruturas – reflectem tanto os desafios de Angola como a ambição mais ampla do continente de utilizar a energia como motor de industrialização.

“A nossa visão está totalmente alinhada com a ambição de África. Os nossos recursos naturais devem apoiar não apenas a produção e a exportação, mas também a indústria, a tecnologia, o empreendedorismo e a integração regional”, declarou.

Para o dirigente, a cooperação continental será determinante para alcançar esse objectivo. A APPO, que reúne países africanos produtores de petróleo, procura reforçar essa cooperação e contribuir para que os recursos energéticos sejam convertidos em desenvolvimento partilhado.

“Nenhum país africano deve construir sozinho o seu futuro energético. Os recursos podem ser nacionais, mas as oportunidades são continentais”, referiu Ghezali, apelando aos investidores já presentes em África para aprofundarem o seu envolvimento e fortalecerem as parcerias com empresas e instituições africanas.

Aos investidores que ainda não exploram as oportunidades existentes no continente, deixou igualmente um convite para aumentarem o seu compromisso. “Os recursos estão aqui, a procura está a crescer, os projectos estão aqui e a ambição está clara”, concluiu.

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