A missa campal, presidida pelo Papa Leão XIV este Domingo, 19, no município do Kilamba, em Luanda, reuniu mais de 600 mil pessoas provenientes de diversas províncias do país, assim como delegações estrangeiras.
Durante a homilia, o Santo Padre disse que a história de Angola, as consequências ainda difíceis que suportam, os desafios sociais e económicos e as várias formas de pobreza exigem a presença de uma Igreja que caminhe ao lado do seu povo e seja capaz de ouvir o clamor dos seus filhos.
Neste terceiro Domingo da Páscoa, o Papa Leão XIII disse aos presentes que Angola é um país belo, mas ferido, que anseia e tem sede de esperança, de paz e de fraternidade.
“A conversa à beira da estrada entre os dois discípulos, que recordam com desânimo o que aconteceu ao seu Mestre”, frisou, trazendo o sofrimento que marcou Angola: uma longa guerra civil, com as suas consequências de inimizade e divisão, recursos desperdiçados e pobreza.
Diante de tudo isso, o Santo Padre reconheceu que, quando alguém está imerso por muito tempo em uma história tão marcada pelo sofrimento, corre o risco de se tornar como os discípulos de Emaús, perdendo a esperança e permanecendo paralisado pelo desânimo.

“Uma Igreja que, com a luz da Palavra e o alimento da Eucaristia, possa reavivar a esperança perdida. A Igreja precisa de pessoas como você, que se entregam como Jesus partiu o pão para os dois discípulos de Emaús”, salientou.
Angola, disse ele, precisa de bispos, padres, missionários, religiosos e religiosas, e fiéis leigos que tenham em seus corações o desejo de sacrificar suas próprias vidas e entregá-las uns aos outros.
Ao abordar a profundidade da Eucaristia, o bispo de Roma defendeu a construção de um país onde as antigas divisões sejam definitivamente superadas, onde o ódio e a violência desapareçam e onde a ferida da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha.
“Só assim será possível um futuro de esperança, especialmente para os muitos jovens que a perderam”, sublinhou, encorajando os fiéis angolanos a olharem para o futuro com esperança e a construírem essa esperança.

“Não tenham medo de fazê-lo! Jesus Ressuscitado, que caminha convosco e se parte como pão, vos encoraja a serdes testemunhas da Sua Ressurreição e protagonistas de uma nova humanidade e de uma nova sociedade”, encorajou.
O Papa Leão XIV insistiu que Jesus está vivo, ressuscitou e caminha ao lado deles, e observou que, se todos os fiéis acolherem o Senhor e a Sua presença entre eles, a sua nação, que tanto sofreu, poderá ser agraciada com um novo futuro.
“Permaneçam fiéis aos ensinamentos da Igreja, confiem em seus pastores e mantenham o olhar fixo em Jesus, que se revela de modo particular na Palavra e na Eucaristia”, acrescentou.
Por essa razão, segundo advertiu, “devemos estar sempre atentos às formas de religiosidade tradicional que, embora certamente façam parte das raízes da sua cultura, também correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não nos ajudam na jornada espiritual”.





