Angola precisa de um financiamento anual de 14 mil milhões de dólares para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os compromissos da Agenda África 2063, revela o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
Segundo o Relatório de Foco do País 2026 – Mobilizar o Financiamento para o Desenvolvimento de Angola em Escala num Mundo Fragmentado, o país apresenta um défice anual de 8,6 mil milhões de dólares.
“Estima-se que sejam necessários 14 mil milhões de dólares por ano para cumprir os compromissos dos ODS e da África 2063. As infraestruturas, a educação, a energia e a produtividade são prioridades fundamentais”, lê-se no documento.
O BAD refere que Angola enfrenta necessidades, fluxos e défice de financiamento significativos, essenciais para alcançar um crescimento sustentável.
No entanto, salienta o relatório que apenas cerca de 300 milhões de dólares estão disponíveis anualmente para infraestruturas, o que deixa um défice de 8,6 mil milhões de dólares.
O sector externo de Angola, diz ainda o BAD, enfraqueceu em 2025 devido a uma desaceleração no sector petrolífero, realçando que o excedente da balança corrente diminuiu de 5,3% do PIB em 2024 para 1,1%, reflectindo a redução das exportações e o nível elevado das importações.
A China representou 44% das exportações, enquanto as importações provenientes de Portugal, Índia e Brasil consistiram principalmente em maquinaria, veículos e produtos alimentares.
De acordo com o relatório de 2025 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) apontado pelo BAD, os fluxos financeiros líquidos continuaram dependentes dos mercados globais, incluindo as euro-obrigações, e da dinâmica do sector petrolífero. Já as remessas (0,1% do PIB) e a ajuda pública ao desenvolvimento (APD) mantiveram-se limitadas e representaram 0,36% do Rendimento Nacional Bruto.
Por outra, acrescenta, as reservas brutas atingiram 7,8 meses de cobertura das importações, acima do valor de referência de 3 meses. Angola também avançou na integração através da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), da Zona de Comércio Livre da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Acordo de Facilitação do Investimento Sustentável da União Europeia (UE).
O aponta ainda que o desempenho económico de Angola se reflete na evolução recente do crescimento do PIB real per capita, que recuperou de -1,8% em 2023 para 1,9% em 2024, após vários anos de fraco crescimento do rendimento per capita.





