Angola reforça aposta no espaço para ganhar soberania e autonomia tecnológica

Angola quer reforçar a sua soberania e autonomia tecnológica no domínio espacial, através do investimento em infra-estruturas, formação de quadros, investigação e parcerias internacionais orientadas para a transferência de conhecimento, afirmou o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Augusto da Silva Oliveira. A posição foi apresentada durante o segundo dia da…
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Ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social apresentou, em Paris, a visão do país para o desenvolvimento do sector espacial, defendendo o reforço das capacidades nacionais e da cooperação internacional como instrumentos para consolidar a soberania tecnológica e posicionar Angola na agenda espacial africana e global.
Economia

Angola quer reforçar a sua soberania e autonomia tecnológica no domínio espacial, através do investimento em infra-estruturas, formação de quadros, investigação e parcerias internacionais orientadas para a transferência de conhecimento, afirmou o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Augusto da Silva Oliveira.

A posição foi apresentada durante o segundo dia da Cimeira Internacional sobre o Espaço, em Paris, onde o governante participa em representação do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço.

Mário Oliveira destacou os investimentos já realizados por Angola e defendeu a necessidade de transformar esses esforços no reforço efectivo das capacidades nacionais no sector espacial.

Para o Executivo angolano, o desenvolvimento desta área ultrapassa a dimensão tecnológica e assume importância estratégica para a soberania nacional, num contexto em que os recursos e serviços espaciais desempenham um papel crescente nas comunicações, na observação da Terra, na gestão de recursos e na segurança.

Em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), o ministro apresentou a política e a visão estratégica de Angola para o sector, tendo igualmente feito um balanço preliminar da participação do país no primeiro dia da Cimeira e abordado os próximos passos para o desenvolvimento das capacidades nacionais.

A estratégia passa, segundo Mário Oliveira, pelo reforço da formação de quadros, das infra-estruturas tecnológicas e da investigação, complementado por parcerias internacionais capazes de promover a transferência de conhecimento e de competências para Angola.

A participação angolana no encontro ocorre num momento em que o espaço ganha peso nas estratégias de autonomia tecnológica de diferentes países e blocos económicos, tornando a capacidade de dominar conhecimento, infra-estruturas e tecnologias espaciais num activo cada vez mais relevante para o desenvolvimento nacional.

Presidente de França, Emmanuel Macron,em conversa em directo com Sophie Adenot, astronauta francesa, actualmente em missão no espaço. (Foto: CEDIDA)

O segundo dia da Cimeira contou igualmente com a intervenção do Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, numa sessão que incluiu uma ligação em directo à Estação Espacial Internacional e uma conversa com a astronauta francesa Sophie Adenot, actualmente em missão no espaço.

Durante a sessão, foram defendidos esforços convergentes entre os responsáveis políticos, a comunidade científica e os centros de investigação para promover a inovação e um desenvolvimento sustentável.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por sua vez, enalteceu a iniciativa franco-alemã de realização da Cimeira e destacou o papel da Europa no sector espacial, sublinhando a abertura à cooperação e à partilha com parceiros, bem como a necessidade de reforçar a soberania, a autonomia estratégica e a capacidade de investimento europeias.

A agenda da delegação angolana inclui ainda debates de alto nível sobre o futuro do espaço, segurança espacial, infra-estruturas do futuro e a visão das lideranças africanas para o sector. Está igualmente previsto um encontro com o Escritório das Nações Unidas para os Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA).

O ministro Mário Oliveira e a equipa técnica deverão também reunir-se com a Agência Espacial Portuguesa, nas instalações da Embaixada de Angola em França, em Paris, para aprofundar o diálogo institucional e avaliar oportunidades de cooperação em áreas de interesse comum.

Integram a delegação angolana a Embaixadora da República de Angola em França, Guilhermina Prata, e o director-geral do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), Eng.º Zolana João.

A presença de Angola na Cimeira Internacional sobre o Espaço reforça a intenção do Executivo de utilizar o sector espacial como uma componente da estratégia de soberania tecnológica, inovação e desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo que procura ampliar a cooperação com parceiros africanos e internacionais.

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